
Existe em Portugal um culto que se tem entranhado, ao longo de décadas, na dinâmica da nossa Sociedade e condicionado o desenvolvimento dos nossos territórios e comunidades.
Esse estranho culto, presente em diferentes segmentos da nossa vivência social, quase que se torna numa seita, sem que muitos dos envolvidos tenham sequer consciência disso, caminhando alegremente ao som de uma melodia encantatória da inocência das pessoas, levando-as a contribuir com o seu “dízimo” na perspetiva de ser alcançado um bem maior.
É o culto, assente na ignorância e na ausência de capacidade criativa e cognitiva, mas que recorre às ideias e aos trabalhos dos outros para tentar ocupar um espaço, ou liderar um grupo, que possibilite a um certo “guru” projetar-se como um líder para se colocar a jeito para algum convite que possa surgir para um qualquer cargo no “burgo”.
Pelo meio, o determinado “guru” arregimenta uns quantos inocentes que serão os seus trabalhadores, entregando-lhes a nobre missão de darem o corpo ao manifesto, depois de copiado o guião de uma qualquer iniciativa de quem teve a genialidade para lançar a ideia certa e ter começado a trilhar o caminho para a concretização da mesma.
O culto da inação, disfarça-se de uma aparente mobilidade, copiando o que já foi feito, mas transforma-se numa má cópia quando a falta de humildade na execução da ideia copiada, sem que se pague direitos de autor, quer fazer algo grandioso, desconhecendo o “guru” que a grandiosidade começa nas coisas simples, e só são grandiosos os Homens que sempre foram simples!
A imobilidade, por momentos e instantes, parece mover-se… fazem-se umas fotos, dá-se uns quantos “bitaites”, escolhe-se uma frase fácil de ficar no ouvido e já está! Nasceu um projeto, bonito e adorável por sinal, capaz de juntar as pessoas, levá-las a abrir os cordões à bolsa e, num ápice, concretiza-se a ideia copiada.
E se não for concretizável atira-se a culpa para os inocentes que foram levados, com promessas de sucesso, e com sorte ainda serão esses inocentes, por vergonha do falhanço, a colocarem o “dízimo” que possa faltar.
Se pelo contrário tudo correr bem, os inocentes rapidamente são esquecidos e o “guru” faz a festa, lança os foguetes, apanha as canas e aguarda pelo convite para o tal cargo, pois isto de andar sempre posto de lado já não dá!
O culto da inação enriquece-se com o culto da mediocridade, que raio de seita esta! E no final, ainda alguém ficará mais pobre e o “guru” um pouco mais rico…
Que País este… tenho que ir a umas conferências do Pedro Passos Coelho, pode ser que me livre desta “seita” que nos tolhe o horizonte com este “culto” da inação e da imobilidade, dedicando-se a copiar as ideias dos outros!

