
No dia 21 de Março teve lugar uma marcha que se realizou em simultâneo em 12 cidades do País, e tinha como enfoque a defesa da vida, dando voz e espaço aos que são contra o aborto e a eutanásia.
Talvez por ser um evento mais associado a valores conservadores, ou simplesmente mais próximo de uma certa visão da sociedade tradicionalista, não mereceu grande destaque nos órgãos de comunicação social.
Muito provavelmente, se fosse uma marcha pela defesa da ideologia de género, ou da mudança de sexo, ou até de defesa dos direitos LGBT+, abriria os noticiários de todos os canais televisivos.
Contudo, um triste evento acabou por obrigar a que algumas linhas tivessem sido escritas sobre a iniciativa levada a cabo pela Federação Portuguesa pela Vida.
Na realidade, a realização da referida marcha, a qual culminou junto à Assembleia da República, ficou marcada por um triste incidente. Incidente este condenado pelos Partidos do centro (PS, PSD, CDS), até à direita mais radical.
Já do lado da esquerda “trauliteira” a condenação foi bastante marcada pela tibieza, com um ou outro comunicado que usou a engenharia das palavras para evitar, de forma frontal, uma condenação veemente da tentativa de agressão perpetrada por um cidadão alegadamente “militante” de grupos anarquistas.
O referido cidadão, e alegado agressor, apesar de ter sido detido após arremessar um “cocktail molotov”, o qual apenas não se incendiou por mera sorte, acabou libertado após a audição pelo juiz, algumas horas depois.
Com ele estariam mais elementos que terão conseguido abandonar o local, tendo vindo a ser, mais tarde, identificadas pelo menos 3 pessoas.
Muitos dos que se pronunciaram e manifestaram contra esse ato de agressão, classificaram-no de terrorista e pediram o tratamento adequado no âmbito desse conceito.
No entanto, ficou logo claro que a leitura e o entendimento da forma como alguém atacou uma marcha legítima, e que promovia a ideia de defesa da vida, não era merecedora da condenação, clara e sem margem para dúvidas, por parte de alguns setores políticos da nossa Sociedade.
Para alguns dos nossos compatriotas defender a vida, não tem a mesma importância do que defender a mudança de género!
Sucede porém, que são esses posicionamentos distintos e diferenciados que permitem legitimar nas urnas o crescimento de correntes mais radicais e ultraconservadoras da vida em Sociedade.
Não há terroristas bons e terroristas maus, há apenas ataques a quem pensa e decide ter uma opinião contrária a uma determinada corrente de opinião.
Se estivéssemos perante uma marcha em que a mensagem central fosse a defesa da causa trans, e se porventura tivesse ocorrido um ataque da mesma natureza, não tenho hoje quaisquer dúvidas que a reação ao sucedido teria tido maior envergadura, com uma condenação clara e veemente de todos os quadrantes políticos e mediáticos.
E o alegado, ou alegados, atacante, ou atacantes, de imediato seriam rotulados de terroristas e como tal classificados e condenados em praça pública, servindo o episódio para alimentar mais umas quantas querelas ideológicas no Parlamento nacional!
Contudo, para uma marcha mais conservadora a reação foi, sem dúvida alguma, bem mais contida e silenciada.
A diferença entre grupos anarquistas e grupos neonazis é apenas no cabelo. Uns dão-se mais a andar com penteados mal-amanhados e por norma mal cheirosos e outros gostam de andar com a cabeça a luzir e sem rasto de pelos, em tudo o resto são iguais.
Parece porém, que existem terroristas bons e terroristas maus, consoante sejam eles mais de esquerda ou mais de direita, e depois há os estudiosos em terrorismo que pretendem classificar a liberdade de expressão e o dever de informar como atos terroristas, perpetrados por terroristas, mas estes últimos apenas quando lhes convém!

