
Na terça-feira, o Secretário de Estado das Florestas, Rui Ladeira, esteve em Góis para uma visita aos trabalhos de desobstrução da rede viária florestal nas Aigras, que estão a decorrer no território e presidiu à conferência de imprensa de apresentação de uma campanha de sensibilização para os incêndios rurais dinamizada pela Região Metropolitana de Coimbra, realizada no auditório da Biblioteca Municipal.
E depois da visita e no final da conferência de imprensa, o Secretário de Estado das Florestas manifestou a sua satisfação pelo que viu e ouviu, considerando “que estamos todos a dar tudo” para minimizar os estragos deixados pelo mau tempo e na prevenção e defesa da floresta e que “a melhor defesa é a prevenção”. E foi essa a campanha de sensibilização apresentada pelo secretário executivo da Região Metropolitana de Coimbra, Jorge Brito, depois de Luís Pita, do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas, ter dado a conhecer os meios envolvidos na desobstrução da rede viária florestal na região, na primeira fase desobstruídos cerca de 590 quilómetros, na segunda fase (em execução) cerca de 146 quilómetros e para a terceira fase cerca de 178 quilómetros, referindo que “no total das três fase será expectável atingirmos cerca de 294 quilómetros”.
“Isto é um sinal da vitalidade dos operadores florestais têm nesta área tão importante como a floresta, têm vontade, dinâmica, empreendedorismo. E isso é determinante para esta fase, para a organização e gestão da nossa floresta”, considerou o Secretário de Estado das Florestas, acrescentando que “isto também nos dá o ânimo, sobretudo nos momentos difíceis em que estamos cá, estamos todos a dar tudo e eu agradeço a todos, mas também temos que envolver quem está lá fora, seja as empresas, seja os proprietários, seja as forças e quem nos ajuda a poder ultrapassar estes momentos como os incêndios e as tempestades mas, sobretudo, a preparar o nosso futuro colectivo”.
“A prevenção é feita com a gestão para prevenir os incêndios, mas garantir também o rendimento que é preciso aos proprietários e a quem tem o seu património”, considerou Rui Ladeira, sem deixar de considerar também que “é notável e é inspirador também para outras regiões” a maneira como “estão a trabalhar”, em articulação entre autoridades, nas limpezas “é impossível conseguir remover tudo até o Verão” e na prevenção de incêndios sobretudo, “estes meses são terminantes. Vamos todos dar o máximo para evitar aquilo que é um período difícil que se avizinha, (…) vamos todos dar as mãos para fazer este caminho em conjunto”.
E depois de uma exaustiva explicação do que está a ser feito na agilização dos processos, nos apoios, nas medidas “nós procuramos, na esfera do Governo, preparar tudo aquilo que é uma resposta a toda esta calamidade, ao comboio de tempestades”, o Secretário de Estado enalteceu as parcerias entre as diversas entidades nesta e com esta “preocupação para que possamos resolver ou minimizar o impacto (…) que é muito relevante para a segurança, mas sobretudo também para a protecção do património, em particular e sempre em primeira linha às nossas populações”, deixando ao parabéns à Região de Coimbra pelo trabalho que, nesta área, está a ser desenvolvido “para dar resposta, em primeira linha, à desobstrução da rede viária, retirada de madeira e poder garantir a funcionalidade das vias” e, consequentemente, a minimizar a propagação de incênidos.
“Gostei muito de ver e partilho convosco que a máquina de rastros que está em operação e que foi confiada à Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra está a trabalhar”, disse Rui Ladeira, terminando por referir “contam connosco e, portanto, nós contamos convosco. Muito obrigado a todos”.
O presidente da Câmara Municipal, Rui Sampaio, deu a conhecer o que tem sido feito o trabalho desenvolvido, em coordenação com outras entidades, referindo que “começamos a preocupar-nos com aquilo que vem a seguir e o que normalmente é o risco de incêndio”, dado que “Góis é um concelho com uma dimensão de uma área florestal apreciável, nós temos mais de 90% do nosso território com densidade florestal, (…) e temos que ter as devidas cautelas e efectuar os procedimentos que são necessários para que se possa mitigar esse risco”, terminando por agradecer ao Secretário de Estado e deixar o seu “muito obrigado a todos por estarem aqui hoje”.
O vice-presidente da CIM – Região de Coimbra, Luís Paulo Costa, depois de referir que “efectivamente, sabemos que boa parte do território foi impactado por este comboio de tempestades, alguns concelhos mais do que outros” e que “começou lá atrás com os incêndios”, enalteceu “a circunstância de ter permitido uma resposta muito robusta, nomeadamente naquilo que tem a ver com a rede viária florestal, por parte das várias entidades que têm competências ou têm responsabilidades nesta área, (…) tendo em vista dar cumprimento àquilo que é uma preocupação comum, a preocupação de chegarmos à próxima época de incêndios com condições para se poder circular em espaço florestal, nomeadamente naquilo que tem a ver, não apenas com a prevenção, porque a prevenção, de certa forma, está agora a ser concretizada, mas com o eventual combate que seja necessário. E nesse sentido, aquilo que hoje tivemos a oportunidade de perceber na visita que foi feita ao terreno esta manhã, é que a sinergia de esforços, a sinergia de recursos, permitiu uma resposta muito robusta nos sítios que foram considerados mais prioritários e, por isso, também mais críticos”.
“Nem sempre se conseguem juntar as vontades, mas temos aqui um bom exemplo em que isso não aconteceu e, portanto, as vontades juntaram-se e foi possível concretizar uma resposta muito robusta naquilo que tem a ver, desde logo, com a circulação na rede viária florestal”, disse ainda Luís Paulo Costa, terminando por destacar também “o lançamento de uma campanha de sensibilização e de comunicação junto dos nossos concidadãos, apelando e sensibilizando para a necessidade destas limpezas serem concretizadas”, enquanto o coordenador da Estrutura de Missão para a Reconstrução da Região Centro, Paulo Fernandes, referiu que “estamos perante, obviamente, uma situação difícil, eu diria difícil e extraordinária, que obriga a soluções que precisam de ser muito eficazes e têm que ter também este aspecto de serem extraordinárias, do ponto de vista daquilo que é a sua concepção”, partilhando por isso “a satisfação de aqui estar e ver já muito trabalho feito”, referindo depois que “antes de podermos retirar o que quer que seja de dentro do espaço propriamente florestal, temos que obstruir as vias (…) numa perspectiva de protecção e de mobilidade no espaço florestal, no espaço rústico, que é absolutamente vital, essencial”.
Paulo Fernandes deu também a conhecer os números (gigantescos) em prejuízos deixados pelas tempestades, “isto só para percebermos que estamos, de facto, numa situação brutal, (…) aqui há isto como incêndios brutais, chuvas brutais, ventos brutais, incêndios que retiraram capacidade de sustentação da água e das terras, vieram agora estas enxurradas, ou seja, é um cúmulo de coisas que aqui estão a acontecer, todas elas complexas e todas elas com impacto no espaço florestal que é aquilo que aqui nos trás”, terminado por enaltecer “o bom exemplo naquilo que hoje aqui vimos na mobilização de muitas energias, muitas entidades, de muitas máquinas, de muitas fontes de apoio” para ajudar (também e neste caso) o concelho de Góis.

