
No dia 10 de Abril e presidido pelo Ministro da Administração Interna, Luís Neves, a Pampilhosa da Serra comemorou o seu Feriado Municipal, “celebramos hoje mais um aniversário da nossa autonomia. São 718 anos de história que não se contam apenas em números. Contam-se em vidas, em sacrifícios, em conquistas e, sobretudo, numa identidade que resistiu ao tempo e às adversidades”, como referiu o presidente da Câmara Municipal, Jorge Custódio.
“A nossa história nunca foi feita de atalhos. Foi construída com coragem, com resiliência e com a determinação inabalável de um povo que nunca virou a cara à luta. Um povo que, geração após geração, soube transformar dificuldades em força e isolamento em carácter”, disse ainda Jorge Custódio, acrescentando que “é essa herança que hoje honramos. Honramos aqueles que vieram antes de nós, que recusaram desistir quando tudo parecia mais difícil. Que escolheram ficar, cuidar, trabalhar esta terra dura, mas generosa. Que nos ensinaram que ser pampilhosense não é apenas nascer aqui. É sentir, é pertencer, é carregar esta serra dentro de nós, onde quer que estejamos. Somos um povo com raízes profundas, mas não estamos presos ao passado. Sim, somos herdeiros de uma história de resistência, mas também construtores de futuro”.
E foi recordando e honrando o passado que esse futuro foi celebrado no Feriado Municipal, com a inauguração do Pampilhosa Business Center, “este é um momento verdadeiramente estruturante para o futuro do concelho”, como considerou o presidente da Câmara Municipal e que resulta da requalificação da antiga “Casa do Dr. Afonso”, num investimento global de 2.272.080,73 euros com financiamento de 1.539.779,39 euros através do programa Centro 2030.
Trata-se de um edifício altamente tecnológico, com condições de excepção para a fixação de empresas startup inovadoras e de iniciativas empresariais de base territorial, revelador de que “a partir de um território de baixa densidade também se pode competir, criar e liderar”, disse ainda Jorge Custódio, considerando mesmo que “é o coração de uma nova estratégia que já está em curso e não passa despercebida. Simultaneamente é também uma peça central do Programa de Regeneração Urbana da vila feito com ambição”.
“E por isso dizemo-lo com toda a convicção: este é o melhor lugar para viver. Não porque seja o mais fácil. Mas porque é verdadeiro. Porque é autêntico. Porque é nosso. E enquanto houver pampilhosenses com esta alma, com esta força e com este amor à sua terra, podem ter a certeza, o futuro não nos será dado… será conquistado!”, salientou o presidente da Câmara Municipal.
Quase 450 mil euros do Município para apoiar instituições concelhias
E foi também essa alma, esse amor à terra, que neste Dia do Concelho a Pampilhosa da Serra quis enaltecer, reconhecer e honrar. Com a deposição de uma coroa de flores junto ao memorial dos ex-combatentes da Guerra Colonial. Com a assinatura de protocolos de apoios do Município a instituições concelhias (Associação Humanitária de Bombeiros Voluntários de Pampilhosa da Serra, 272 mil euros; Santa Casa da Misericórdia de Pampilhosa da Serra, 60 mil euros; Associação de Solidariedade Social de Pampilhosa da Serra, 40 mil euros; Casa do Concelho de Pampilhosa da Serra, 15 mil euros; Grupo Desportivo Pampilhosense, 5 mil euros, Grupo Musical Pampilhosense, 5 mil euros; Rancho Folclórico de Pampilhosa da Serra, 5 mil euros; e Associação do Pessoal do Município, 47.500 euros).
Mas também com o reconhecimento aos trabalhadores do Município através da atribuição da Medalha de Bons Serviços e que recentemente terminaram a sua vida profissional nesta casa: António Barata, Maria da Nazaré Tavares e Pedro Francisco. “Em nome da Pampilhosa da Serra, fica o nosso reconhecimento e a nossa gratidão”. E com a atribuição das Medalhas de Valor e Altruísmo a pessoas e instituições “que não se limitaram a fazer o seu caminho, mas que fizeram a diferença no caminho dos outros”, de entre os quais António Bouça, “como o reconhecimento de uma vida vivida com coerência, com talento e com verdade” e à Associação Sara Carreira, “há nomes que não pertencem apenas a uma pessoa. Tornam-se memória. Tornam-se sentimento. Tornam-se parte de uma terra. E a Sara Carreira é um desses nomes, (…) a nossa Pampilhosa da Serra, um lugar que fazia parte da vida da Sara e que, de forma tão natural, também passou a fazer parte da sua história”.
“Num tempo em que a generosidade é escassa, esta Associação soube dar-lhe um propósito claro: ajudar quem mais precisa. Cada contributo, cada gesto de quem ajuda, transforma-se aqui em esperança renovada. Também a Pampilhosa da Serra é exemplo da solidariedade da Associação que, ano após ano, apoia financeiramente crianças e jovens mais carenciados do concelho”, referiu Jorge Custódio, depois de entregar a Medalha a seu pai, o conhecido cantor Tony Carreira que, emocionado, agradeceu o gesto para com a sua saudosa filha “que tanto gostava o seu Armadouro natal, da sua Pampilhosa da Serra”.
E depois de recordar, “enquanto autarca que vive no terreno as dificuldades, as responsabilidades e também as injustiças que muitas vezes recaem sobre o Poder Local”, Jorge Custódio aproveitou para chamar a atenção do Ministro “para uma situação que não pode continuar a ser ignorada: a necessidade urgente de requalificação do quartel da GNR da Pampilhosa da Serra” e, “esta não é uma responsabilidade direta do Município, mas estamos inteiramente disponíveis para colaborar, para encontrar soluções e para ser parte ativa nesse processo. Porque aquilo que está em causa é o interesse das populações”, bem como “importa garantir estabilidade e previsibilidade a uma estrutura absolutamente estratégica para toda a região: o Centro de Meios Aéreos da Pampilhosa da Serra”.
“Não faz sentido que continue a funcionar em regime de incerteza, com soluções provisórias que se arrastam no tempo e com estruturas físicas deficientes”, disse o presidente da Câmara Municipal, salientando que “o Centro de Meios Aéreos não é da Pampilhosa da Serra. É da Região Centro. Aqui está sediado um helicóptero, aqui trabalham cerca de 20 profissionais que, ao longo de todo o ano, respondem a múltiplas ocorrências”, pelo que “é fundamental assegurar condições dignas para o seu funcionamento e para os seus homens. É fundamental garantir a sua permanência de forma estável. Porque quando falamos de segurança, de protecção e de resposta a emergências, não podemos trabalhar com soluções temporárias. Temos de trabalhar com compromisso, com visão e com responsabilidade”, terminando com palavras de particular apreço para como o Ministro Luís Neves, “sabemos que não é um homem de gabinete. Que é alguém que prefere ver, ouvir e perceber no terreno. E essa é uma qualidade cada vez mais rara” e por considerar que “o futuro da Pampilhosa da Serra não está escrito noutro lugar. Está aqui. Em cada um de nós. No que somos capazes de construir, lado a lado, com orgulho e com um amor que nunca se esgota por esta terra. Sim, nós somos Pampilhosa da Serra!”.
E depois das palavras da presidente da Região Metropolitana de Coimbra, Helena Teodósio, a associar-se “às comemorações do Feriado Municipal da Pampilhosa da Serra. Um momento de celebração da identidade, da resiliência e da ambição de um território que, apesar dos desafios próprios da interioridade, continua a afirmar-se com visão e determinação” e de reafirmar “o nosso compromisso em continuar a trabalhar lado a lado com este Município e com todos os parceiros para construir uma região mais coesa, mais competitiva e mais preparada para os desafios do futuro”, o Ministro da Administração Interna referiu que “celebrar este concelho é reconhecer um percurso e uma identidade única. É afirmar que estes territórios contam para o futuro do país”, e que a inauguração do Pampilhosa Business Center “é uma expressão concreta disso. Um projeto que traduz uma escolha estratégica, atribui investimento, apoiar empresas e fixar pessoas, (…) fixar pessoas, criar oportunidades, garantir que vivem no interior, não é uma condenação, mas uma escolha com futuro”.
Luís Neves teve ainda palavras de particular apreço (e reconhecimento) para os autarcas, agentes públicos e privados e entidades do sector florestal, para com Bombeiros Voluntários da Pampilhosa da Serra “pela vossa coragem e disponibilidade. Sois a espinha dorsal da Protecção Civil. Sois os primeiros a chegar. Sois aqueles que conhecem as pessoas, os idosos, os mais frágeis, os lugares, os caminhos”, também para os militares da Guarda Nacional Republicana “pela sua presença constante e pelo trabalho de proximidade perante o cidadão, (…) em momentos difíceis garantem que o Estado está presente”, reconhecendo por isso que “merecem ter mais condições”, deixando a promessa que o seu Posto em Pampilhosa da Serra “será recuperado o mais curto espaço que é possível”, bem como as instalações do Centro de Meios Aéreos “é para manter o helicóptero que aqui se encontra e as pessoas não sairão daqui”, terminado por sublinhar que “celebramos hoje a Pampilhosa da Serra, a sua história, a sua identidade, a sua residência, mas celebramos sobretudo o maior património que temos, que são as pessoas. Celebramos sobretudo a sua capacidade de olhar para o futuro com ambição, com alegria”.
(*) Com o estagiário PEDRO CUNHA

