
Penacova celebrou o Dia do Município – 17 de Julho – que evoca também a data do nascimento do antigo Presidente da República, António José de Almeida, e cujas cerimónias foram presididas por Rui Armindo Freitas, Secretário de Estado Adjunto da Presidência.
Ainda antes da sessão evocativa do Dia do Município, o presidente da Câmara, Álvaro Coimbra e o presidente da Assembleia Municipal, Mauro Carpinteiro, colocaram uma coroa de flores no busto do antigo Chefe de Estado, no Largo Alberto Leitão, numa cerimónia que contou com a participação das três bandas filarmónicas do concelho – Boa Vontade Lorvanense, Casa do Povo de Penacova e Casa do Povo de São Pedro de Alva.
Já no Auditório Municipal, no decorrer da sessão solene, o presidente da Assembleia Municipal começou por evocar António José de Almeida – o único Presidente de toda a Primeira República a cumprir integralmente e sem interrupções o seu mandato constitucional de quatro anos (5 de Outubro de 1919 e 5 de Outubro de 1923) – e que num dos períodos mais intensos, exigentes e instáveis da história política portuguesa (…) «num tempo marcado por grandes divisões, soube afirmar-se como um homem de firmeza de convicções, mas também como um homem de algo, procurando unir, aproximar e construir pontes».
Mauro Carpinteiro recordou que o governante – nascido em Vale da Vinha, São Pedro de Alva – foi uma voz firme e audível na defesa intransigente da Democracia. «É este o primeiro exemplo de cidadania que invocamos. Não apenas o cidadão que ocupou mais alto cargo do Estado, mas o homem que acreditou que ninguém deve permanecer indiferente ao tempo e aos desafios da comunidade em perigo», sublinhou.
Tendo aquele como exemplo, o autarca apontou, por isso, que o cidadão (…) «não é um espectador. Não é alguém que se limita a observar, a comentar ou a esperar que outros resolvam. O cidadão participa, intervém, cuida, luta por aquilo em que acredita, assume responsabilidades e serve». «A melhor forma de homenagear-nos é trazermos o seu exemplo inteligente. É perguntarmos o que exige de nós, hoje, a cidadania».
No ano em que se assinalam 50 anos do Poder Local Democrático, o presidente da AM de Penacova considerou que (…) «ser eleito local é fiscalizar sem destruir. Governar sem arrogância. Fazer oposição sem ressentimento. Defender convicções sem humilhar quem pensa de forma diferente. É procurar a convergência sem abdicar da identidade de cada um». «A democracia precisa de desacordo, mas não precisa de hostilidade. Precisa de debate, mas debate digno, elevado, informado e construtivo», acrescentou.
Com o pensamento no futuro e numa alusão aos dois presidentes da Câmara Municipal – um eleito pelo PSD e o outro pelo PS – que foram homenageados (ver caixa), Mauro Carpinteiro assumiu que (…) «Penacova continua a ser uma obra inacabada. Uma obra que não pertence a um presidente, a um executivo, a uma assembleia, a um partido ou a uma geração. Pertence a todos», e, recorrendo à memória dos antepassados para que (…) «nos recordem que nenhuma dificuldade é maior que a vontade de ir mais além», dando como exemplo o actual (…) «período de forte investimento no concelho», apontando para as empresas que foram também reconhecidas pela Câmara Municipal e detentoras de diversos galardões nacionais (ver caixa).
Começando por admitir os “desafios exigentes” com que as autarquias se deparam e que carecem de “políticas ajustadas”, a presidente da Comunidade Intermunicipal da Região Metropolitana de Coimbra (RMC), apontou aos projectos comuns para reforçar a coesão na Região Metropolitana. Helena Teodósio manifestou a disponibilidade da RMC (…) «em continuar a estar ao lado de Penacova».
Começando por fazer uma análise aos “status quo” mundial e em particular europeu, o presidente da Câmara Municipal reconheceu que (…) «falta à Europa uma liderança forte», para acabar com o conflito armado entre a Rússia e a Ucrânia, apontando a antiga Chanceler alemã Angela Merkl, como a última diplomata capaz de dialogar e travar as partes beligerantes.
A nível local, o autarca focou o “combóio de tempestades” que assolou o país e que não poupou Penacova, causando o encerramento (…) «sabe-se lá por quanto tempo, de duas estradas nacionais» – Nacional 2 e 110 – e que estão a provocar enormes constrangimentos à economia local, à vida das pessoas, ao turismo, aos transportes públicos e ao próprio socorro às populações. «Temos feito tudo o que está ao nosso alcance para que sejam encontradas soluções mais expeditas, desde reuniões com membros do Governo, com dirigentes e técnicos da IP, mas as respostas e acções do Terreiro do Paço tardam em chegar», apontou ao Secretário de Estado Adjunto da Presidência, mencionando mesmo que a Câmara Municipal propôs um assumir de responsabilidades para reabrir a estrada, ainda que provisoriamente, durante o Verão, mas, (…) «infelizmente, até agora, sem resultados».
Em contraponto, Álvaro Coimbra enumerou as obras na rede viária municipal (…) «que são de nossa responsabilidade, as mais urgentes, estão em curso, provando que à escala municipal é possível fazer bem e de forma mais expedita». O autarca admitiu não estar a avançar noutras frentes (…) «porque, infelizmente, o prometido apoio do Governo para fazer face às intempéries resumiu-se até agora a pouco mais de 1 milhão de euros». «Meio milhão, de adiantamento, e o restante através de um protocolo assinado recentemente com a APA (Agência Portuguesa do Ambiente)» para reparações urgentes em custos de água e zonas ribeirinhas.
Outro dos assuntos mencionados ao governante e que estão a causar apreensão é a Saúde e os cuidados prestados à população. De acordo com o autarca estão a ser investidos dois milhões de euros na renovação do Parque de Saúde – Centro de Saúde de Penacova e os Pólos e Extensões de Saúde de São Pedro de Alva, Figueira do Lorvão e Lorvão – mas (…) «não basta ter edifícios modernos e bem equipados. É preciso ter médicos, enfermeiros e assistentes técnicos comprometidos com aquilo que é a génese do Serviço Nacional de Saúde». Por isso (…) «dizer que a nossa região está coberta a 100% por médicos de família é um óptimo título de jornal, mas no terreno a realidade não é bem assim», denunciou.
A juntar ao “rol de queixas”, o presidente da Câmara Municipal referiu as metas do PRR (Plano de Recuperação e Resiliência) e os acordos sectoriais entretanto assinados entre as Autarquias e a ANMP (Associação Nacional de Municípios Portugueses) com vista à requalificação de escolas, onde se inclui a escola-sede do Agrupamento de Penacova, e que garantia o financiamento a cem por cento. «A obra está em execução, mas não vai ficar concluída dentro do prazo», garantiu, apontando as semanas consecutivas de mau tempo, falta de mão-de-obra e de materiais, entre outros, como factores que (…) «conduziram a este incumprimento do prazo».
«Sem dúvida que a Câmara, o Município, é dona da obra e tem responsabilidade. Mas não deve o Governo, o Estado, encontrar a função expedita para finalizar as obras da nossa escola e de outras tantas escolas que não vão ficar concluídas até 31 de Agosto?», questionou.
O futuro passa por aqui
Lamentos à parte, Álvaro Coimbra focou-se no futuro, trazendo para a agenda as empresas penacovenses, justificando ter (…) «fortes motivos para reconhecer o esforço que tem sido feito pelos nossos empresários», e fazendo referência ao “ranking” da Região Metropolitana (…) «só somos superados por Coimbra, Figueira da Foz, Cantanhede e Oliveira do Hospital, com indicadores de crescimento significativos, mais de 20% das exportações e volume de negócios acima de 115 milhões de euros», motivos de sobra para que a aposta do Município passe por criar condições (…) «para que os nossos empresários possam crescer ainda mais», anunciando uma candidatura submetida ao PT 2030 para a criação de um centro de negócios, um acelerador de empresas, um espaço para criar novos projectos e novos empreendedores, bem como a expansão do Parque Empresarial de Alagoa, junto ao IP3.
No sector do Turismo, mereceu especial referência a futura unidade hoteleira do Grupo Vila Galé. «Um investimento âncora que vai dar um forte impulso à economia local e ao turismo de Penacova, acredito, também da região. O futuro Hotel Vila Galé Collection, somado ao conjunto de investimentos que temos feito na qualificação de locais de elevado potencial turístico e patrimonial, colocarão Penacova num outro patamar enquanto destino turístico», salientou.
O momento foi aproveitado para lançar o desafio aos empreendedores, aos empresários das áreas que se cruzam com a actividade turística para que (…) «aproveitem este momento e invistam em novos negócios ou na requalificação dos existentes». «Tenho a firme convicção de que haverá um antes e um depois do Vila Galé que, em boa hora, conseguimos trazer para Penacova», admitiu.
Começando por elogiar o presidente da Câmara Municipal (…) «pelo seu trabalho de autarca, livre e sempre na defesa das suas gentes e da sua terra», o Secretário de Estado Adjunto da Presidência apontou as preocupações de Álvaro Coimbra, garantindo-lhe que (…) «as farei chegar a quem de direito, na certeza de que são legítimas e com certeza encontrarão boa resposta».
Rui Armindo Freitas serviu-se do Dia do Município de Penacova para evocar os 50 anos do Poder Local Democrático. «50 anos em que os municípios transformaram Portugal. Levaram o desenvolvimento onde ele faltava. Criaram oportunidades, aproximaram o Estado das pessoas, que a Democracia é mais forte e só se pode considerar plena quando se vive em proximidade». «É sem dúvida pelo Poder Local que se resolvem muitos dos problemas concretos de cada cidadão. É aqui que a Política deixa de ser um conceito e passa a ser a vida de cada um de nós», acrescentou o governante, apontando como exemplos, a reabilitação da estrada entre São Mamede e Paradela; as distinções às empresas; a homenagem aos dois antigos presidentes da Câmara Municipal. «Cada um destes autarcas, nas circunstâncias próprias do seu tempo, ajudou a escrever uma página da história deste concelho. E esse serviço público, por mais que digam que é exagerado, que é imerecido, merece sim o reconhecimento de todos».
«Há quem olhe para os municípios pela sua dimensão ou pela classificação de maior ou menor densidade. Eu prefiro olhar para aquilo que verdadeiramente importa. Para a força da comunidade. Para a capacidade de criar oportunidades. Para a qualidade de vida. Para a identidade de um povo que nunca deixou de acreditar na sua terra e continua a fazer de tudo para a desenvolver. Há mais de oito séculos que Penacova escreve a sua história. Há 50 anos que a Democracia lhe deu novos instrumentos para continuar a escrevê-la. Cabe agora, às nossas gerações futuras, estarem à altura desse legado. Porque Portugal não se constrói apenas a partir da capital. Constrói-se todos os dias, também em Penacova», concluiu Rui Armindo Freitas.

