
A vila da Lousã acolheu, entre os dias 26 e 29 de agosto, a escola de verão organizada pela representação da Comissão Europeia em Portugal. Direcionada para 40 jovens dos 18 aos 30 anos que frequentam o ensino superior, a iniciativa contou com a participação de várias figuras da vida política nacional e serviu de espaço para a discussão de diversos temas que marcam a agenda da União Europeia.
A 8.ª edição da escola de verão da Comissão Europeia, comummente designada por “Summer CEmp”, começou ao início da tarde do dia 26 de agosto. Depois do registo e da respetiva cerimónia de receção dos 40 participantes, o programa arrancou com vários debates nas instalações da Sociedade Filarmónica Lousanense, onde foram discutidos assuntos como o “aquecimento global” e a “governação europeia”. Mais tarde, pelas 18-30 horas, a comissária portuguesa pelos Serviços Financeiros e União da Poupança e dos Investimentos, Maria Luís Albuquerque, subiu ao palco do Teatro Municipal da Lousã para falar sobre a União Europeia, nomeadamente sobre os desafios, as oportunidades e o papel que esta enfrenta para a construção de um futuro financeiro mais robusto.
A Sociedade Filarmónica Lousanense acolheu as atividades previstas para a manhã do dia seguinte (27), começando com um debate em torno das “alterações climáticas”, da “proteção florestal” e da “biodiversidade”. Após o lanche, teve lugar uma nova palestra, desta vez, sobre o “financiamento comunitário”, contando com a presença da embaixadora da Irlanda em Portugal, Alma Ní Choigligh, país que preside atualmente o Conselho da União Europeia. Antes de terminar o programa matinal para este dia, tiveram lugar mais dois debates: o primeiro, no âmbito das “migrações” e, o segundo, em torno da “inteligência artificial e dos algoritmos” digitais.
Durante a tarde, ainda no dia 27 de agosto, desenrolaram-se mais conversas em torno de outros temas. Agora, na “Quinta do Meiral”, onde se encontra localizada a fábrica do Licor Beirão, servindo de palco para a discussão de assuntos como a “competitividade” e a “demografia” da União Europeia. Por outro lado, os jovens tiveram também a oportunidade de conhecer o Museu Licor Beirão.
De regresso ao Teatro Municipal da Lousã, Margarida Balseiro Lopes, ministra da Cultura, Juventude e Desporto, falou com os participantes, respondeu às suas perguntas e assinalou os 40 anos da adesão de Portugal à União Europeia. A representante do governo destacou que este feito permitiu que “várias gerações” usufruíssem da “liberdade de estudar, trabalhar, circular e colaborar” no interior desta comunidade europeia, composta por 27 Estados-Membros. Não obstante tal “herança”, a ministra defendeu que é necessário manter a união na defesa de valores europeus fundamentais: a “democracia”, a “liberdade”, a “paz” e o “Estado de Direito”. “A Europa é um projeto em construção” e a “cultura” desempenha um “papel essencial” neste âmbito, sublinhou, adicionando que “ajuda a compreender” e a desconstruir as mensagens que recebemos, a “formar pensamento crítico” e a “imaginar aquilo que ainda não existe”.
Paulo Rangel foi questionado sobre a alegada contaminação dos solos junto à Base das Lajes
A encerrar o dia, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, também se deslocou ao antigo Cineteatro para expor as suas ideias em torno do projeto europeu. O atual ministro, que foi eurodeputado durante 15 anos, entre 2009 e 2024, recordou que a “Europa” tem vivido “tensões” e “guerras constantes”, pelo menos, nos últimos “dois mil anos”. Na sua visão, a “paz” que ocorreu após a “II Guera Mundial” foi uma “exceção” na história do Velho Continente, ainda que tenham surgido alguns conflitos armados, exemplificando com a “Guerra da Jugoslávia”, na “década de 1990”, e com o confronto entre Moscovo e Kiev, que se acentuou em fevereiro de 2022 com a invasão do território ucraniano pela Federação Russa.
A conversa com Paulo Rangel incidiu também sobre o “alargamento da União Europeia”, a recente “eleição de Portugal para o Conselho de Segurança da ONU”, entre outros temas que foram lançados pelos participantes no “Summer CEmp”. O governante foi também questionado sobre a relação entre Portugal e os Estados Unidos da América, nomeadamente no que respeita às notícias recentes sobre uma alegada contaminação ambiental na Ilha Terceira. O ministro defendeu que a “relação com os Estados Unidos é fundamental”, tendo momentos “mais fáceis” e outros “mais difíceis”. No entanto, reforçou que o Estado português vai “apurar” o que aconteceu e, caso se confirme a contaminação dos solos em redor da Base das Lajes, implementar medidas para “resolver o problema”.
O dia 28 de agosto começou mais cedo, pelas 8-30 horas, com um “workshop de mel” e “pão”, no Lagar Mirita Sales. Cerca de uma hora mais tarde, regressaram à Sociedade Filarmónica Lousanense para mais debates em torno de temas relativos à União Europeia. Desta vez, em torno de assuntos como os direitos sociais, o programa espacial europeu e o papel de Portugal neste âmbito, a defesa europeia, e também sobre geopolítica e os desafios existentes à escala global, entre outros. Durante a parte da tarde, os jovens tiveram um “speed debating” (debates rápidos) com eurodeputados portugueses, designadamente com Ana Catarina Mendes (Partido Socialista), Ana Vasconcelos (Iniciativa Liberal), Catarina Martins (Bloco de Esquerda), Hélder Sousa Silva (Partido Social Democrata), João Ferreira (Coligação Democrática Unitária) e Lídia Pereira (Partido Social Democrata).
Ao final da tarde, pelas 18 horas, o Teatro Municipal voltou a acolher os 40 jovens portugueses, onde teve lugar a cerimónia de entrega dos respetivos diplomas de participação, marcando o início da despedida desta 8.ª edição do “Summer CEmp”. Já ao cair da noite, decorreu o momento destinado ao encerramento desta iniciativa, com a participação da representante da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Moreira de Sousa, e do presidente da Câmara Municipal da Lousã, Victor Carvalho.
“A Europa será aquilo que vocês fizerem ou não fizerem. Precisamos de ter uma voz ativa (…) gostava que saíssem daqui [da escola de verão] com a vontade de serem atores, não apenas espectadores do projeto da construção europeia”, referiu Sofia Moreira de Sousa, dirigindo-se aos 40 participantes nesta iniciativa. “Há dias mais difíceis, desafios grandes, burocracia (…) mas, não conheço nenhum outro projeto que seja mais valioso do que a União Europeia”, continuou a representante da Comissão Europeia em Portugal, concluindo que, “num mundo em que se constroem muros”, este foi o “único projeto que aboliu fronteiras”.
Victor Carvalho, por sua vez, lamentou que o estado do “tempo” não tenha permitido que os jovens usufruíssem de uma “visão mais ampla da vila”, atendendo à chuva e ao vento que se fizeram sentir na última semana. Porém, apesar destes constrangimentos, as atividades previstas no programa deram lugar a “dias muito produtivos”, promovendo “seminários interessantes”, que contaram com a “presença de vários nomes da política contemporânea” e com “experiências em várias áreas”. “Espero que tenham gostado dos momentos que viveram (…) que levem a Lousã no coração e que regressem”, finalizou.
A iniciativa terminou, oficialmente, na manhã do dia 29 de agosto, com o “check-out” e a partida dos participantes nesta iniciativa. Ao longo destes dias, os 40 jovens foram acompanhados por oito mentores e estiveram em contacto com eurodeputados portugueses, membros do governo nacional, autarcas e empresários locais, académicos, entre outras personalidades que se encontram intimamente ligadas ao projeto europeu e à vida política nacional. Nas sessões em que A COMARCA esteve presente, assistiu-se a uma forte participação dos jovens nos debates, colocando várias questões aos diferentes oradores.
Segundo as informações que constam no portal Eurocid, as edições dos anos anteriores desta iniciativa foram realizadas em Monsanto (2017), Marvão (2018), Monsaraz (2019), Alcoutim (2021), Ribeira Grande, Açores (2022), Ponte da Barca (2023) e Miranda do Douro (2024). Recorde-se que, no dia 1 de janeiro de 2026, assinalaram-se 40 anos desde que Portugal aderiu à União Europeia, à época designada por Comunidade Económica Europeia (CEE).
Pedro Cunha – Estagiário

