
A Câmara Municipal de Tábua assinou, nesta terça-feira, 21 de julho, no Salão Nobre dos Paços do Município, dois protocolos de colaboração com a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e a Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas. O objetivo consiste em aprofundar o estudo sobre a presença do Império Romano neste concelho, nomeadamente no que respeita às antigas paisagens mineiras do território e à exploração aurífera (ouro) do rio Alva.
A assinatura dos acordos foi enquadrada nas comemorações do Dia Internacional da Arqueologia, que ocorre a 24 de julho. Ana Rita Pereira, arqueóloga do município tabuense, começou por explicar que a oficialização dos “protocolos” reflete o “compromisso conjunto”, entre a Câmara Municipal de Tábua, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e a “Agencia Estatal Consejo Superior de Investigaciones Científicas”, no âmbito da “investigação, do estudo, da promoção e da divulgação do património histórico e arqueológico de Tábua”. Desde logo, no que respeita à passagem da civilização “romana” neste território, que deixou “vestígios associados à exploração do ouro e às antigas paisagens mineiras”.
Ainda segundo a arqueóloga, através desta “colaboração” de “âmbito internacional”, atendendo que envolve uma instituição espanhola, tornar-se-á possível “aprofundar o conhecimento sobre a presença romana no território de Tábua e a [respetiva] exploração de ouro no rio Alva”. Desta forma, continuou, o estudo vai “contribuir para o reconhecimento” da vila enquanto uma “referência na investigação e na valorização do património da época romana”.
Bráis Curras, do “Consejo Superior de Investigaciones Científicas”, apontou que os territórios que faziam parte da Lusitânia Romana eram “sinónimos de riqueza”, designadamente ao nível da exploração do “ouro”. Por este motivo, prosseguiu o investigador castelhano, a região do distrito de Coimbra possui uma “paisagem profundamente transformada” por esta civilização, tendo sido uma peça essencial para as suas “finanças” e para o seu “projeto imperial”. O académico apresentou-se confiante em relação a esta parceria com o município de Tábua e a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, desejando que esta contribua para “avançar” o conhecimento científico, “valorizar” e transmitir ao “público” os vestígios deixados pelos romanos.
“A Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra tem como missão ensinar, investigar e transferir conhecimento nos domínios das humanidades, das artes e das ciências sociais”, começou por mencionar Albano Figueiredo, diretor desta instituição de ensino. De acordo com o investigador português, a academia que dirige “está em condições de honrar o protocolo” que assinou com o município tabuense, “cooperando cientificamente em todos os projetos” que estiver envolvida. “É sempre um orgulho, e um gosto especial, quando podemos contribuir (…) para a valorização do património de toda esta região”, rematou, completando que a Faculdade de Letras se encontra “totalmente disponível” para apoiar em “tudo aquilo que possa ser útil”.
De acordo com o presidente da Câmara, Ricardo Cruz, a celebração destes acordos consistiu num momento “histórico para o município”. O autarca considerou que esta investigação, em torno da passagem do Império Romano pela vila tabuense, é “importante” para “recuperar a história” do concelho durante este período. Por outro lado, desejou que, no futuro, seja criado um “passe turístico” com outros municípios para que, “em conjunto”, promovam a “valorização do património” da “época romana”, designadamente no que respeita à “exploração aurífera” no “rio Alva”. “Ganhamos turismo, se tivermos património e conhecimento científico ao dispor [das pessoas]”, concluiu.
Pedro Carvalho, da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, também participou na cerimónia, tendo destacado a riqueza patrimonial do município tabuense. O docente mencionou que as antigas explorações mineiras do rio Alva são um elemento distintivo deste território, argumentando que a investigação científica deve caminhar, lado a lado, com a divulgação e interpretação do património, nomeadamente através da criação de redes colaborativas.
A representar a Associação de Municípios do Portugal Romano esteve José Barbosa, tendo destacado o papel desta instituição na preservação e promoção do património construído pelo Império Romano. De acordo com o próprio, a assinatura destes protocolos vai contribuir para o desenvolvimento de novos projetos científicos, tendo em vista a valorização do legado histórico que esta civilização deixou em Portugal.
PEDRO CUNHA – Estagiário

