
A Filarmónica Fidelidade de Aldeia das Dez assinalou no último domingo, dia 13, o seu 170.º aniversário com uma cerimónia que homenageou fundadores e músicos, mas, sobretudo, celebrou o futuro, de uma das mais antigas e emblemáticas instituições culturais do concelho de Oliveira do Hospital.
Na sessão comemorativa, em que estiveram presentes dirigentes, músicos, entidades locais, associações congéneres, sócios e amigos da colectividade a presidente da direcção, começou por salientar que a efeméride é mais do que uma data (…) «não estamos apenas a comemorar o aniversário de uma instituição. Estamos a celebrar 170 anos de uma história. Uma história feita de pessoas, de sonhos, de sacrifícios, de dificuldades. Mas, acima de tudo, de amor à música».
Paula Frade – que é a segunda mulher a presidir à direcção da instituição – não esqueceu os fundadores e todos aqueles que fizeram a história da Filarmónica. «Hoje, quando olhamos para estes 170 anos, é impossível não pensarmos naqueles que estiveram aqui antes de nós. Naqueles que tiveram um sonho. Naqueles que em pleno século XIX decidiram criar uma Filarmónica aqui, à entrada da Serra do Açor. Longe dos grandes centros. Longe das grandes salas de espectáculo. Longe das escolas de música. De longe das facilidades que hoje temos. Mas nunca longe da vontade de fazer música». «Fizeram-no porque acreditaram que a Filarmónica tinha futuro», e nem mesmo as guerras (1914-1918 e 1939-1945) fizeram a parar. «Houve sempre alguém que disse que a Filarmónica tem que continuar». «É dessa gente que somos herdeiros», sublinhou.
Com representantes das filarmónicas de Barril de Alva (Arganil), de Avô (Oliveira do Hospital) e de Lobelhe do Mato (Mangualde) presentes, a dirigente apontou para a “mudança de paradigma” das filarmónicas, e, sobretudo, para a valorização do músico filarmónico. «É um músico especial, é um músico atleta, mas também tem de ter uma boa capacidade física porque faz frente ao frio, faz frente ao calor. Vocês são espectaculares», elogiou, apontando ainda para a muita juventude nas fileiras da Filarmónica, num evidente sinal de que a Filarmónica Fidelidade de Aldeia das Dez está para durar.
Paula Frade defendeu, por isso, a continuidade do investimento na formação musical e na renovação geracional. «Queremos que haja crianças a aprender música. Queremos jovens a entrar nesta casa. Queremos músicos a crescer. E queremos novos maestros a sair destas fileiras», disse, confidenciando que existem elementos que pretendem seguir os estudos superiores musicais. «Há dois elementos que poderão tornar-se maestrinas», revelou.
Consciente das dificuldades, a dirigente destacou a disponibilidade da comunidade aldeense para com a “sua Filarmónica”, salientando a ajuda da comunidade estrangeira residente no território da freguesia, lembrando que (…) «uma filarmónica não pertence apenas a quem hoje a dirige. Uma filarmónica pertence à sua comunidade. E esta Filarmónica pertence a Aldeia das Dez», vincou.
Em representação da Junta de Freguesia de Aldeia das Dez, a presidente Joana Alves começou por elogiar o percurso da Filarmónica ao longo de todos estes anos. «São quase dois séculos de história, de música, de cultura, de dedicação e de serviço à nossa terra». Apontando para os músicos, a autarca salientou que cada um deles (…) «deixou uma pequena parte de si nesta extraordinária história», construindo um legado (…) «que hoje temos a responsabilidade de preservar e transmitir às gerações futuras».
Dirigindo-se aos elementos que compõem a Direcção da Filarmónica Fidelidade, e também ao Maestro António Simões, a autarca felicitou-os pelo trabalho desenvolvido (…) «obrigado por continuarem a dar futuro à nossa Filarmónica». «Vocês são a alma desta instituição. São vocês que fazem com que esta história continue a ser escrita», sublinhou, acrescentando que, mais do que uma associação, a Filarmónica é (…) «património, memória, identidade e cultura da nossa terra. É parte daquilo que somos enquanto comunidade», sublinhou Joana Alves.
«Os que fizeram estes 170 anos fizeram a sua parte (…) enquanto houver alguém disposto a acreditar. A Filarmónica Fidelidade de Aldeia das Dez continuará a existir e a tocar»
Para o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, o papel cultural, educativo e social desenvolvido pela Filarmónica Fidelidade merece um destaque especial no universo concelhio. «Hoje o associativismo é um desafio. É um desafio ao egoísmo. A opção é ficarmos em casa descansados ou contribuirmos para a vitalidade que todos desejamos das nossas localidades», agradecendo desta forma (…) «a disponibilidade de todos aqueles que disseram sempre presente para manter a Filarmónica em actividade», e o trabalho dos músicos (…) «que representam a freguesia e o concelho dentro e fora do país, levando consigo o nome de Aldeia das Dez».
José Francisco Rolo lembrou que as filarmónicas têm sido, ao longo das décadas (…) «a escola de aprendizagem da música e a escola de desenvolvimento intelectual dos cidadãos», colmatando os conservatórios.
Na ocasião garantiu a continuidade do apoio municipal, assegurando que a autarquia continuará disponível para colaborar em áreas como a renovação de instrumentos, fardamentos e melhoria das instalações, até porque (…) «é um orgulho ter filarmónicas centenárias» no concelho.
Emocionado, José Francisco Rolo dirigiu-se aos presentes e à comunidade aldeense assumindo que (…) «somos uma instituição, somos uma instituição musical, somos uma instituição cultural e somos uma instituição educativa. Bem-haja a todos e memória a todos que criaram esta instituição e que a trazem até o dia de hoje: viva, activa e com alegria, porque filarmonia prima mesmo com alegria».
«Que não vos falte o pulmão, que não vos falte o sopro, rebentem até as peles, mas não muitas. A Câmara ajudará naquilo que puder para substituir as peles do bombo das tarolas e das caixas. Obrigado a todos», concluiu.
Recorde-se que integrado nas comemorações dos 170 anos, está patente até ao próximo dia 4 de Outubro, uma exposição evocativa da história da instituição, na Casa da Cultura César Oliveira. A efeméride culmina com um concerto comemorativo agendado para o próximo dia 26 de Setembro (sábado), também na Casa da Cultura César Oliveira, na cidade de Oliveira do Hospital.

