LOUSÃ: Teatro Municipal apresentou a programação até ao final do ano

Ana Paula Sançana, Victor Carvalho e João Aidos

O Teatro Municipal da Lousã apresentou, no dia 10 de setembro, a programação cultural até ao final de dezembro. Ao longo dos próximos meses, vão ser realizadas visitas guiadas aos bastidores do antigo Cineteatro, sessões de cinema, comédia, marionetas, música e teatro, entre outros.

A conferência de imprensa decorreu no palco do Teatro Municipal, na presença do respetivo diretor artístico, João Aidos, do presidente da Câmara Municipal da Lousã, Victor Carvalho, e da vice-presidente, Ana Paula Sançana. A programação definida para os próximos meses arranca com a subida ao palco da violoncelista Margarita Balanas e da Orquestra Off Limits, a 24 deste mês. Dois dias depois, segue-se o espetáculo “Não se Vê, Não se Guarda”, de Thiago Granato e com a participação do pianista Hélder Bruno. A fechar o mês de setembro, no dia 30, haverá ainda a reprodução do filme italiano “Ladrões de Bicicletas”, que se estreou nos cinemas em 1948.

Em outubro, no total, o espaço vai acolher nove iniciativas, contendo cinema, marionetas, música, teatro e visitas guiadas ao antigo Cineteatro da Lousã. O mês vai iniciar-se com “Deixem o Pimba em Paz”, de Bruno Nogueira, Manuela Azevedo, Filipe Melo, Nuno Rafael e Nelson Cascais, espetáculo que está na estrada desde 2013 e consiste numa reinterpretação humorística de músicas populares portuguesas. Seguir-se-ão mais espetáculos e sessões de cinema, mas a novidade principal consiste na visita aos bastidores do Teatro Municipal. No dia 10 de outubro, assim como nos dias 11 de novembro e 12 de dezembro, o espaço cultural abrirá as portas ao público para dar a conhecer as suas salas, os equipamentos e o trabalho que é desenvolvido para permitir a realização dos espetáculos.

Ainda no mesmo mês, a 17 e 24 de outubro, vai ter lugar a 16.ª edição do Festival de Marionetas ao Centro, organizado pela companhia “Marimbondo”. No dia 17, o Teatro Municipal vai acolher o espetáculo “A Árvore da Minha Avó”, da companhia “Boca de Cão”, que pretende promover a reflexão em torno da preservação dos ecossistemas. Já no dia 24, o Centro Dramático de Évora apresentará na Lousã os “Bonecos de Santo Aleixo”, peça de teatro intimamente ligada à cultura alentejana. A fechar o mês, no dia 30, sobem ao palco os atores Cristóvão Campos, Nuno Lopes e Rui Melo para apresentar “Arte”, peça teatral escrita por Yasmina Reza e encenada por António Pires.

A programação para o mês de novembro vai iniciar-se no dia 7, com um tributo a Marco Paulo da Associação Cultural Louzan. No do dia 11, começam também as sessões de cinema, com “O Homem Elefante”, seguindo-se o documentário “Salatinas: Histórias da Velha Alta de Coimbra” (20) e o filme “Memórias de um Caracol” (25). A encerrar o mês de novembro, subirá ao palco o humorista Pedro Teixeira da Mota com o espetáculo “Amanhã Não Está Certo”, projeto que, segundo João Aidos, pretende atrair os “jovens” ao Teatro. A par destes eventos, haverá ainda circo, teatro e mais música.

Por fim, o mês de dezembro vai ser dividido entre a música, o cinema e termina com a dança. No dia 5, a Associação para a Recuperação de Cidadãos Inadaptados da Lousã (ARCIL) apresentará o espetáculo “Ritmos Inclusivos”, no âmbito da gala comemorativa dos 50 anos desta instituição. Dois dias depois (7), o oboísta Tiago Coimbra vai dar a conhecer o seu primeiro álbum a solo, “OBOÉ +”, e estrear uma obra do compositor local Eugénio Rodrigues.

A primeira sessão de cinema do mês terá lugar a 9 de dezembro, com a comédia romântica “Jules and Jim”, que antecede a reprodução do drama sueco “Morangos Silvestres” (16) e do filme infantil “Peter Pan” (21). A seleção dos conteúdos cinematográficos, que serão reproduzidos entre setembro e dezembro, foi efetuada pela associação local “Cineclube 47”. Por último, logo após o Natal, no dia 26, o espetáculo “O Lago dos Cisnes” encerrará a programação prevista para 2026.

Município pretende manter aposta em talentos locais

“Mais do que apresentarmos um conjunto de espetáculos, queremos afirmar aquilo que entendemos que deve ser o papel deste Teatro: uma casa aberta à comunidade e um espaço de cultura”, começou por referir o presidente da Câmara, Victor Carvalho. Segundo o autarca, a “programação” para os próximos meses tem como principal alvo as “famílias” e o “público escolar”, contendo ofertas culturais “diversificadas”, com “qualidade” e que abrem “espaço à criação local e regional”. O objetivo da autarquia, continuou, consiste em consolidar o Teatro Municipal como a “casa dos artistas”, das “associações” e de “todos aqueles que, na Lousã, criam, trabalham e ajudam a construir a identidade cultural do concelho”.

“Queremos formar públicos, aproximar os mais jovens da cultura e criar oportunidades para que uma criança ou um jovem possa entrar neste Teatro e descobrir algo que o marque para toda a vida”, enfatizou Victor Carvalho. O governante local salientou que o espaço foi “construído” para que não seja necessário “sair do concelho para assistir a um bom espetáculo, ouvir um bom concerto ou ter contacto com propostas artísticas de qualidade”, sendo uma “responsabilidade do município” a “criação de condições para que a cultura seja acessível, diversificada e cada vez mais próxima das pessoas”.

A vice-presidente da autarquia, Ana Paula Sançana, salientou que estas propostas visam contribuir para que as “pessoas, quando entrarem no Teatro, consigam abstrair-se do mundo” exterior. Por outras palavras, pretendem que a população se “conecte com realidades diferentes” e esqueça os “problemas” que vive no “dia a dia”. A vereadora responsável pelo pelouro da Cultura realçou ainda a importância das “visitas guiadas”, de forma “gratuita”, aos bastidores do antigo Cineteatro, sendo uma iniciativa que visa combater a ideia de que este “equipamento cultural” é “elitista”, promovendo uma “aproximação” dos cidadãos ao mesmo.

“O preço dos bilhetes não paga os espetáculos”, representando um “investimento” do município na acessibilidade à cultura, salientou Ana Paula Sançana. Ainda segundo a vereadora da Cultura, o “Teatro está de portas escancaradas” à sociedade, contendo uma “programação” que permite o “acesso a diferentes abordagens e manifestações artísticas”.

João Aidos destacou a continuidade da “aposta do executivo” municipal no “envolvimento das associações, entidades, escolas, dos criadores e artistas” locais na programação do Teatro. “A cultura e a educação são as bases de uma comunidade”, apontou o responsável, adicionando que o espaço municipal tem a “responsabilidade” de desenvolver uma programação que “contribua para a felicidade das pessoas”, expandindo os seus horizontes.

De acordo com as informações transmitidas por Victor Carvalho em resposta aos jornalistas, desde que o Teatro Municipal foi reaberto, em outubro de 2024, entraram no espaço “cerca de 46 mil espectadores”. Em “2025”, o número rondou as “21 mil pessoas” e, “até agosto” deste ano, contabilizaram “pouco” mais de “16 mil” presenças.

A agenda cultural, de setembro a dezembro de 2026, encontra-se disponível, na íntegra, no site do Teatro Municipal da Lousã.

Pedro Cunha – Estagiário