
A Santa Casa da Misericórdia de Arganil recebeu, no passado dia 30 de junho, as Jornadas da Sensibilização para a Malnutrição. A sessão decorreu no Salão Nobre da instituição, tendo sido promovida pela Misericórdia, em articulação com a Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica.
“Quando falamos de malnutrição, associamos às pessoas idosas e aos doentes. Isso já é uma epidemia”, afirmou Aníbal Marinho, presidente da Associação Portuguesa de Nutrição Entérica e Parentérica. Segundo o próprio, o conceito no centro da discussão engloba também as pessoas que “emagrecem subitamente”, incluindo as que sofriam de “obesidade”, dado que, por não praticarem “exercício físico”, tendencialmente, acabam por “perder massa muscular” também. “A malnutrição está a afetar, não só pessoas idosas e doentes, como [cidadãos] de todas as idades que emagrecem rapidamente”, sintetizou. O médico reforçou que o desporto é essencial no combate à malnutrição, em particular para os mais velhos, dado que a “perda de mobilidade impacta a qualidade de vida” desta população, além de prevenir o “isolamento”.
A malnutrição consiste num “problema [de saúde] que faz perder peso” e, “principalmente, músculo”, de modo “involuntário”, aumentando a “fragilidade das pessoas perante determinadas doenças”, apontou Paulo André, Diretor Clínico da Misericórdia de Arganil. Por outro lado, contribui para que as “feridas não cicatrizem tão bem e, se tiverem que ser internados, [os utentes] ficam mais tempo [no hospital]”, o que implica “mais custos”. De acordo com o médico, é nos “lares que se verifica a entrada de idosos com maior prevalência de malnutrição”, esclarecendo que “mais de um terço” dos pacientes estão “malnutridos”, algo que “também é muito comum nos hospitais”. No entanto, esta patologia é “potencialmente reversível”, caso seja “tratada atempadamente”, designadamente, através do “aumento do aporte calórico e proteico dos utentes, recorrendo a suplementos orais” e do “exercício físico”, com o intuito de robustecer a “massa muscular”.
“O contexto de fragilidade, que antecede a entrada em lares, contribui para estas situações de malnutrição”, salientou Elisabete Oliveira, vereadora da Câmara Municipal de Arganil. De acordo com a responsável pelo pelouro da Ação Social, a autarquia arganilense promove “muitos projetos de apoio ao nível da área alimentar”, além de possuir “respostas de proximidade no terreno”, em “articulação e parceria com as IPSS do concelho”. Elisabete Oliveira enfatizou a relevância das “atividades” direcionadas para as “pessoas que estão, muitas vezes, sozinhas”, atendendo que contribuem para combater a solidão.
António Carvalhais da Costa, face à presença da vereadora arganilense na sessão de abertura das jornadas, desafiou o município a promover um dia dedicado à discussão e à valorização da alimentação saudável. Por outro lado, Aníbal Marinho aproveitou a deixa para apelar à autarca para criar o “Dia Municipal da Malnutrição”, considerando que seria uma ideia “inovadora” no panorama “nacional” e “mundial”.
Terminada a sessão de abertura, o programa das Jornadas da Sensibilização para a Malnutrição prosseguiu, contendo várias formações ao longo do dia. Aníbal Marinho foi o primeiro a intervir, seguido pelos clínicos António Oliveira e Diogo Catita, tendo este último encerrado a parte da manhã desta iniciativa. Já durante a tarde, a primeira palestra foi realizada pela médica Catarina Lucas, que antecedeu a Ricardo Marinho e Paulo Lopes. No final, teve lugar um momento destinado à discussão de casos e à colocação de perguntas.
PEDRO CUNHA – Estagiário

