
A Assembleia Municipal (AM) de Tábua aprovou por unanimidade, na reunião de 29 de Abril, a Moção “Pela manutenção do balcão do Banco Santander em Tábua” proposta por Olga Nunes, líder da Bancada Municipal do Partido Socialista.
A Moção recorde-se, foi também subscrita por Tânia Pereira e João Pedro Portugal, líderes das bancadas do PSD e do partido CHEGA, respectivamente, e nela são questionadas as razões do fecho da Agência na vila de Tábua.
Entre outras, questionam os “critérios que levaram ao abandono do concelho de Tabua” – numa altura em que o Santander se consolidou como o banco mais rentável do sector no país com um lucro de cerca de mil milhões de euros -, mas também apelam que a decisão seja reavaliada, “ponderando soluções que permitam a continuidade da prestação de serviços no concelho de Tábua, ainda que em moldes ajustados à realidade actual.
Depois da aprovação, a Moção foi enviada, para conhecimento, à Administração do Banco Santander e aos respectivos responsáveis locais e regionais, Governo, Banco de Portugal e aos Órgãos de Comunicação Social.
Moção
Pela manutenção do balcão do Banco Santander em Tábua
«O Grupo Municipal do Partido Socialista vem, por este meio, manifestar a sua profunda preocupação e firme oposição ao anunciado encerramento da Agência do Banco Santander no concelho de Tábua.
Esta decisão, a concretizar-se, representa impactos diretos e significativos tanto para o tecido empresarial e economia local, como para a população em geral.
Desde logo, importa salientar as consequências para as pessoas, em particular para as que têm mais idade e para aquelas que dispõem de menor literacia digital, que dependem fortemente do atendimento presencial para a realização de operações bancarias básicas. O encerramento deste balcão significará maiores deslocações, aumento de custos e, em muitos casos, dificuldades acrescidas no acesso a serviços essenciais.
Para as empresas locais, sobretudo pequenas e medias empresas, esta decisão implicará alguns constrangimentos operacionais. A proximidade ao serviço bancário é um fator importante para a gestão diária, operações como depósitos, levantamentos, acesso a crédito e acompanhamento personalizado são elementos fundamentais para a sustentabilidade e crescimento do tecido empresarial.
Compreendemos que o Banco Santander, enquanto entidade privada, orienta a sua atividade por objetivos de rentabilidade. No entanto, esta decisão parece refletir uma lógica de liberalismo económico na sua forma mais pura, onde a maximização do lucro se sobrepõe a qualquer outra consideração, incluindo o impacto social e territorial.
Este modelo, quando aplicado de forma absoluta, ignora que as empresas não existem isoladas: crescem, prosperam e geram lucros graças as comunidades onde se inserem. Durante anos, foram as pessoas e as empresas de Tabua que contribuíram para os resultados desta instituição. É, por isso, legítimo exigir uma responsabilidade social proporcional a esse contributo.
As empresas e também as instituições financeiras, desempenham um papel estruturante na coesão territorial. O abandono progressivo de territórios do interior agrava desigualdades, promove a desertificação e fragiliza ainda mais as economias locais.
Consideramos que decisões desta natureza não podem ser tomadas apenas com base em indicadores financeiros de curto prazo, descurando o impacto social e o compromisso com os territ6rios.
É essencial que sejam defendidos os interesses da população e das empresas locais, garantindo que o acesso a serviços bancários não se torna mais um fator de desigualdade territorial.
Porque o desenvolvimento equilibrado do país exige compromisso, por parte quer de entidades públicas, quer de entidades privadas, responsabilidade e respeito pelas comunidades que o constroem todos os dias.
Assim, considerando que:
– O Santander em Portugal encerrou o ano de 2025 com um lucro de cerca de mil milhões de euros, consolidando-se como o banco mais rentável do setor no país, de acordo com o relatório de resultados do banco.
– O Grupo Santander Global alcançou em 2025, um lucro record de 14 mil milhões de euros.
0 Grupo Municipal do Partido Socialista propõe que a Assembleia Municipal de Tabua delibere:
– Questionar quais os critérios que levaram ao abandono do concelho de Tabua, um concelho com provas reais de crescimento;
– Questionar se existiu uma diminuição significativa do número de clientes no concelho ou se verificou uma quebra relevante no volume de neg6cios que justifique esta decisão;
– Questionar se foram consideradas alternativas que permitissem manter um nível mínimo de serviço à população;
– Apelar que reavalie esta decisão, ponderando soluções que permitam a continuidade da prestação de serviços no concelho de Tábua, ainda que em moldes ajustados à realidade atual;
– Dar conhecimento da presente moção à Administração do Banco Santander e aos respetivos responsáveis locais e regionais, Governo, Banco de Portugal e aos Órgãos de Comunicação Social.»

