AVÔ (Oliveira do Hospital): Rancho Folclórico Camponesas do Alva celebrou o 90.º aniversário

No passado dia 28 de junho, o Rancho Folclórico Camponesas do Alva assinalou 90 anos de vida. As comemorações arrancaram com uma missa solene na Igreja Matriz de Avô, seguida por um almoço convívio no Centro Cultural Dr. Vasco de Campos, e terminando com uma tarde cultural sobre a história do grupo.

“Os 90 anos de vida do nosso rancho folclórico (…) representam muito mais do que uma data. Representam gerações de homens, mulheres e jovens que, com dedicação, espírito de voluntariado e amor às nossas tradições, fizeram deste rancho um verdadeiro símbolo da nossa comunidade”, começou por dizer Fátima Oliveira na sessão solene, após o almoço aberto à comunidade. Segundo a presidente da direção do Rancho Folclórico Camponesas do Alva, “ao longo destas nove décadas”, a associação tem contribuído para preservar os “usos, os costumes, as danças, as músicas, os trajes e as tradições” que herdaram dos seus “antepassados”, levando o “nome” da freguesia de Avô além-fronteiras.

“Nenhuma coletividade chega aos 90 anos por acaso”, continuou a dirigente, considerando que tal foi possível graças às pessoas que “dedicaram horas, dias e anos de vida” para que “esta casa continuasse viva”. Por outro lado, sublinhou a necessidade de “continuar a atrair os mais jovens” para fazerem parte desta tradição, incutindo-lhes o “orgulho” das suas “raízes” e “garantindo que esta herança cultural” é transmitida para as “próximas gerações”. Na sua visão, “o rancho folclórico não é apenas um grupo que canta e dança”, é uma “escola de valores, amizade, respeito, identidade e pertença”, que “preserva” a “cultura” e a identidade de um povo.

“Continuemos a escrever esta história, com o mesmo entusiasmo que inspirou aqueles que, há noves décadas, deram os primeiros passos desta grande aventura”, afirmou Fátima Oliveira. “A tradição não pertence apenas ao passado, é também um compromisso com o futuro”, reforçou, apelando a que este aniversário sirva como um “marco de união, alegria e esperança”. A presidente da direção recordou também os elementos do grupo que já partiram, agradecendo também àqueles que, diariamente, contribuem para “manter vivo este património” da vila avoense.

Manuel Pimentel, presidente da Junta de Freguesia, apontou que “Avô é uma vila rica” no âmbito “cultural”, destacando que esta associação é um “símbolo da identidade” e um motivo de “orgulho” para a população local. De acordo com o autarca, esta “coletividade dignifica” o território, alavancando o “sentimento de pertença” e a “memória” do povo avoense. “90 anos é uma vida, não é para todos, por isso muitos parabéns e longa vida ao Rancho”, declarou, deixando também elogios às restantes “coletividades” da freguesia.

Em representação da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital esteve Luísa Correia, que começou por enaltecer as “nove décadas de trabalho, dedicação e empenho” do Rancho Folclórico Camponesas do Alva. Segundo a vereadora com o pelouro da Cultura, a associação tem desempenhado um papel relevante na “divulgação e preservação” das “raízes, das tradições, do património local e da cultura popular” de Avô. “É com muito orgulho que o município vê as coletividades culturais, como esta, a terem uma longa vida (…) ao serviço das raízes culturais” do concelho, prosseguiu a edil, reforçando que são o “reflexo de um património vivo de valor incalculável”. A autarca assegurou ainda que o “município”, e o atual “executivo”, vão estar “sempre disponíveis para apoiar todas as coletividades culturais do concelho”.

Rodrigues Gonçalves, autor do livro “Os 90 anos do Rancho Folclórico Camponesas do Alva”, que foi apresentado na tarde de 28 de junho, também discursou na sessão solene. “Às vezes perguntamo-nos: por que são tão importantes estas organizações musicais? São importantes, e devem ser acarinhadas, porque prestam um serviço único às populações”, referiu o escrito. Desde logo, porque “ajudam a vencer as agruras da vida com as suas músicas, os seus cantos e as suas danças”, a “suavizar o peso da existência” e a “evitar muitas doenças”, nomeadamente do foro psicológico. Por outras palavras, no seu entender, a “música e o canto” tendem a “animar o coração” e a “aliviar a mente”, devendo ser “preservados” em prol de uma “vida saudável e mentalmente sã”. Rodrigues Gonçalves revelou que foi desafiado por Vasco de Campos, um dos fundadores desta associação, para “estudar e escrever a história de Avô e da sua gente”, algo que tem feito desde 2004, em diferentes obras.

No aniversário esteve também Paulo Leitão, jornalista do título Centro TV e neto de Vasco de Campos. O repórter recordou que o seu “avô era uma personalidade especial”, que “gostava” da sua “terra”, da “região” e das “pessoas” que nela habitavam, esforçando-se para que “existisse cultura e tradição” na freguesia avoense. “Foi isso que também o moveu a criar o Rancho Folclórico que, hoje, comemora 90 anos”, continuou, relembrando também que os seus “pais” continuaram este legado e “fizeram parte da direção” desta instituição. Antes de terminar, lamentou que o “interior” do país esteja, “cada vez mais, desertificado”, tendo apelado aos “jovens” para que “continuem estas tradições”.

O presidente da Sociedade de Defesa e Propaganda de Avô, Manuel Nunes, também discursou na sessão solene. “Curiosamente, este ano, vamos comemorar aniversários redondos: o Rancho Folclórico Camponesas do Alva, com os seus 90 anos; a Sociedade de Defesa e Propaganda de Avô, [que vai] comemorar 70 anos; e a Sociedade Recreio Filarmónica Avoense [a assinalar] 170 anos”, observou o dirigente. Neste sentido, frisou que Avô é uma “terra de história” e “cultura”, que “deve continuar a ser apoiada e incentivada a prosseguir” este caminho, garantindo que a instituição que preside “continuará a estar sempre disponível” para auxiliar as coletividades locais.

“Como filho desta terra, este é um momento que me toca de forma muito especial. Nasci aqui, cresci entre estas gentes e é um orgulho estar convosco”, declarou Rogério Tavares que, juntamente com a sua mulher, Odete Tavares, são os padrinhos do Rancho Folclórico Camponesas do Alva. O empresário enfatizou que se sente “honrado” por apadrinhar este grupo, agradecendo pela “confiança” e pelo “carinho” que “sempre” recebeu. “O folclore é mais do que música e dança. É a alma de um povo. É a história das nossas famílias e a herança que deixamos às gerações futuras”, indicou, felicitando “aqueles que, ao longo de 90 anos, dedicaram o seu tempo e o seu coração para manter vivo este património”.

No final dos discursos, o município de Oliveira do Hospital e as coletividades locais ofereceram algumas lembranças ao grupo aniversariante, com o intuito de assinalar os seus 90 anos de vida. O dia foi encerrado com uma tarde cultural, dedicada à história, à tradição e às memórias do grupo que, entre outras atividades, cantou e dançou músicas que foram criadas nos primórdios da associação, da autoria de Vasco de Campos.

O Rancho Folclórico Camponesas do Alva foi fundado a 29 de junho de 1936, por Vasco de Campos e Ernesto Caetano Abranches. Segundo o escritor Rodrigues Gonçalves, nessa mesma data, monsenhor Augusto Nunes Pereira, à época pároco em Coja, celebrou a missa solene que antecedeu as festas de São Pedro, na vila de Avô, onde o grupo atuou pela primeira vez.