LOUSÃ: METRO MONDEGO – Ligação entre a Lousã e Serpins foi alvo de críticas da população

A sessão de esclarecimentos teve início às 18 horas, do dia 9 de março, no Mercado de Serpins

“Se o ‘metro’ chegar atrasado, o autocarro não espera”. “Posso comprar o passe? É garantido que o vou utilizar?” Estas foram algumas das críticas e das dúvidas apresentadas pelos clientes da Metro Mondego (MM), em relação aos transportes alternativos que estabelecem a ligação entre a Lousã e a freguesia serpinense.

A Metro Mondego (MM), a Câmara Municipal da Lousã (CML), e a Junta de Freguesia de Serpins promoveram, no passado dia 9 de março, uma sessão de esclarecimentos no âmbito do projeto “metrobus”. A reunião foi aberta à participação do público, tendo sido realizada no Mercado de Serpins, oportunidade que foi aproveitada pela população para manifestar o seu desagrado sobre a ligação entre a Lousã e Serpins.

“Mal tivemos a notícia de que a obra vai arrancar, com os [respetivos] prazos definidos, programámos vir cá falar convosco para dar a cara”, mencionou Victor Carvalho, presidente da Câmara Municipal da Lousã. No dia 24 de janeiro, por uma questão de segurança, a MM optou por suspender temporariamente a operação do “metrobus”, entre as estações da Lousã e Serpins, passando a ser realizada por autocarros convencionais. Esta suspensão deveu-se às intempéries sentidas no final de janeiro e durante o mês de fevereiro que, no meio de outros danos, provocaram o deslizamento de um talude entre estas duas localidades, mais concretamente na Rogela. Desta forma, perante a necessidade de a via ser intervencionada, deixou de ser possível a circulação no troço de seis quilómetros que abrange as paragens de Casal de Espírito Santo, Casal de Santo António e Serpins.

A obra para a estabilização do talude, entre a Lousã e Serpins, arrancou no dia 9 de março, estando previsto que seja concluída até ao mês de agosto

A estabilização do talude vai custar “cerca de três milhões de euros”, revelou Victor Carvalho, acrescentando que a “obra” vai demorar entre “cinco a seis meses”, tendo sido iniciada no dia 9 de março. Desde 24 de janeiro, a MM “gastou” mais de “370 mil euros” em “serviços alternativos”, complementou Ricardo Cândido, membro do Conselho de Administração (CA) da empresa. Desse montante, cerca de “220 mil euros” serviram para a contratação de uma companhia de transportes que, durante os próximos “seis meses”, vai assegurar a operação entre a Lousã e Serpins, estando previsto que em “agosto” o “metrobus” possa retomar a circulação entre estas localidades.

No total, entre o final de janeiro e o início do mês de março, a MM contratou “cinco empresas” para fornecer transportes alternativos aos clientes, entre diferentes pontos do canal que une Coimbra a Serpins, explicou Ricardo Cândido. No entanto, admitiu a existência de “falhas” no “serviço”, tendo pedido “desculpa” às pessoas afetadas, em particular às que ficaram prejudicadas pelo deslizamento do talude na Rogela. O membro do CA acredita que a nova companhia, que iniciou funções a 7 de março e cujo contrato cessa em agosto, vai responder às necessidades da população, até que o troço de seis quilómetros fique novamente operacional.

Apesar de a MM ter assumido algumas falhas no serviço, a população não poupou nas críticas à empresa, em particular no que diz respeito à circulação entre a Lousã e Serpins. A maioria das reclamações tiveram como alvo os serviços alternativos que, segundo algumas vozes, carecem de “confiabilidade”. De acordo com os relatos apresentados, caso o ‘metro’, oriundo de Coimbra, se atrase a chegar à estação da Lousã, os autocarros que concluem a ligação a Serpins não esperam por estes passageiros, levando-os a ter que aguardar pelo transporte seguinte. Face a estas críticas, Cristina Agreira, que também integra o CA, assegurou que a MM vai ter o “cuidado” de estabelecer um “contacto direto” entre o “posto das operações e os serviços alternativos”, de modo a evitar que estes constrangimentos se repitam. “Têm toda a razão em reclamar. Se o ‘metro’ está atrasado dois ou três minutos, o autocarro não pode sair antes porque, obviamente, as pessoas vão ficar apeadas”, concluiu.

Ainda no âmbito da viagem entre a Lousã e a freguesia serpinense, e vice-versa, os cidadãos acrescentaram que, desde o dia 24 de janeiro, os problemas com os serviços alternativos são recorrentes. Portanto, quem tem meio de transporte próprio vê-se obrigado a gastar dinheiro em combustível, quando já pagaram pelo passe, mas quem não dispõe dessa possibilidade fica “apeado”. Situações que se repetem “diariamente”, afirmaram os clientes, levando-os a questionar se, por um lado, o valor do passe correspondente ao mês de fevereiro será devolvido e, por outro, se compensa tirar o passe durante os próximos seis meses, enquanto a ligação do “metrobus” neste troço não for restabelecida. A empresa não respondeu diretamente a estas dúvidas, mas comprometeu-se a apertar a fiscalização aos serviços alternativos. “Vamos estar em cima para que essas situações não aconteçam”, declarou Ricardo Cândido.

A substituição da ferrovia pelos autocarros articulados elétricos também foi discutida na sessão de esclarecimentos

“Não vamos voltar a ter comboio”, mencionou Victor Carvalho, quando o tema do antigo ramal da Lousã aqueceu a discussão no Mercado de Serpins. Algumas das pessoas expressaram o seu desagrado com o fim desta ferrovia, nomeadamente pelos impactos que provocou ao nível do transporte de cargas, bem como no que respeita ao conforto dos passageiros durante a viagem. “Não podemos esquecer a economia. Podíamos utilizar os comboios para o transporte de mercadorias, tanto de Serpins para Coimbra, como no sentido inverso”, apontou um dos presentes. Por outro lado, uma senhora manifestou ter “saudades do comboio” devido à comodidade, especialmente, porque “levava toda a gente e não ia ninguém em pé”, ao contrário do que diz acontecer neste novo sistema, ironizando que é “pior do que a sardinha na canastra”.

A primeira observação, dirigida ao representante da Infraestruturas de Portugal (IP) que marcou presença na sessão, Duarte Miguel, não recebeu uma resposta conclusiva, tendo salientado apenas que “essa questão” seria um tema para a “noite toda”. Quanto à segunda, Ricardo Cândido referiu que o “sistema ‘metrobus’ está dimensionado para, de Serpins até Miranda, irem todas as pessoas sentadas”. Porém, “se [tal] não acontecer”, a MM vai “acompanhar e dimensionar isso no futuro”, concluiu.

Duarte Miguel aproveitou a sessão de esclarecimentos para divulgar que a ligação do “metrobus”, entre a Portagem e Coimbra-B, vai ser concluída em “agosto deste ano”. Por outro lado, revelou que a “linha” que engloba as paragens de “Celas” e dos “hospitais [Pediátrico e da Universidade de Coimbra]” vai ser finalizada “mais tarde”, apontando que poderá acontecer no “início do próximo ano”. No entanto, ainda no âmbito deste troço em direção aos hospitais, a IP estima que, também até ao final do mês de “agosto”, estejam reunidas as condições para que o ‘metro’ possa operar até à Praça da República.

PEDRO CUNHA – Estagiário