NOTA DA SEMANA: A Hipocrisia dos “revolucionários” da atualidade

Na República Islâmica do Irão as mulheres condenadas à pena de morte, antes de serem executadas, são violadas pelos seus carcereiros, de forma coletiva.

Para os ocidentais, resguardados nas virtudes dos regimes democráticos, esta forma de atuar do regime iraniano é encarada como uma atrocidade, na medida em que para além da existência da pena de morte nesse País islamizado, acrescenta-se a completa degradação da dignidade humana através da infame intrusão no corpo de uma mulher.

Tal atitude diz bem da forma como o género feminino é encarado no regime religioso dos “Aiatolas”, bem como o respeito pelo Direitos Humanos é silenciado.

Desde que a revolução islâmica tomou o poder no Irão, todas as minorias religiosas são perseguidas e ostracizadas na sociedade iraniana, vivendo sem o reconhecimento de quaisquer direitos, assim como todas as outras minorias étnicas.

De igual modo, as opções sexuais são escrutinadas pelo regime e pela “polícia dos costumes”, não sendo possível a existência de casais homossexuais ou transgéneros, correspondendo também a aplicação de pena de morte a qualquer iraniano que seja identificado com tais práticas.  

Por outro lado, o regime ditatorial e teocrático que vigora no Irão tem como principal objetivo político, e também existencial, aniquilar o Estado de Israel e o povo Judeu, assim como todos os “infiéis” e as suas democracias, nesta última incluímo-nos nós!

Vem isto a propósito das inúmeras manifestações que têm ocorrido contra a ação militar que o Estado de Israel desencadeou contra o Irão, esquecendo-se o contexto em que este ato foi desencadeado.

Seguramente muitos europeus já esqueceram que, alguns anos atrás, os israelitas destruíram o programa nuclear que o regime sírio estava a desenvolver o que, caso não tivesse acontecido essa destruição, permitiria a Bashar Assad manter-se no poder e continuar a massacrar os habitantes do seu próprio País, ameaçando toda a Região e a Europa.

Enquanto os europeus debatiam a aplicação de sanções à Síria, as quais seriam incapazes de produzir quaisquer efeitos, face ao apoio da Federação Russa e da República Popular da China ao ditador sírio, o Estado Israelita fez aquilo que se impunha – destruiu o programa militar de construção de uma bomba nuclear pela ditadura de Bashar Assad.

Agora, tal como na altura, grande parte dos líderes ocidentais criticou, publicamente, a ação israelita, mas no recato dos seus gabinetes respiraram de alívio por alguém ter resolvido o problema.

Esquecemos todos, uns por conveniência, outros por mera ignorância e desatenção, que o diretor mundial da Agência Internacional da Energia Atómica (AIEA), anunciou que o Irão tinha ultrapassado os limites estabelecidos para o enriquecimento de urânio, passando a ter a capacidade para construir bombas nucleares.

Esquecemos todos que o Irão, através dos seus representantes oficiais, tinha anunciado que iria dar continuidade ao seu programa nuclear, no qual se incluía o enriquecimento de urânio para fins militares – que fazer então?

O regime iraniano tem em sua posse misseis balísticos, os quais fornece também à Federação Russa, a mesma que tem alimentado o programa nuclear do Irão e atacado a Ucrânia.

O Irão recebeu tecnologia chinesa, em troca do petróleo que produz, que lhe tem permitido construir centrais nucleares – que fazer então?

Esses misseis que têm uma capacidade superior a 2 mil Km, são capazes de atingir inúmeras capitais do médio oriente. Agora imaginem os mesmos misseis que em vez de levarem cargas explosivas convencionais, carregavam antes ogivas nucleares, o que sucederia? Bastava apenas um míssil destes, com uma ogiva nuclear, para “varrer do mapa” o Estado Israelita.

Importa ainda dizer de forma bem clara, que os grupos terroristas como o HAMAS são financiados e armados pelo regime iraniano, facto que por si significava que qualquer uma dessas células passava a ter a capacidade de realizar atentados terroristas na Europa com ogivas nucleares portáteis, o que significaria uma mortandade inimaginável.

Nós europeus, como sempre, falamos muito e damos lições de moral, na expetativa de que outros sujem as mãos na resolução dos problemas e depois, os líderes europeus, com receio das opiniões públicas, dão raspanetes aos israelitas!

A hipocrisia dos revolucionários da atualidade é demasiado ostensiva, não apenas manifestam completa ignorância sobre a História, confundindo a grandeza e conhecimento da civilização persa, com o regime dos “Aiatolas”.

A hipocrisia dos revolucionários da atualidade desconhece que a maior parte das notícias provenientes da Palestina são fornecidas pelo HAMAS, não se dando ao cuidado de serem escrutinadas por fontes isentas.

A hipocrisia dos revolucionários da atualidade não lhes permite reconhecer que o HAMAS utiliza os hospitais, as escolas e a ajuda humanitária, os primeiros como escudo, o segundo como fonte de financiamento.

A hipocrisia dos revolucionários da atualidade não lhes permite conhecer a História do médio oriente e muito menos conhecer o que são os “árabes do levante”.

A hipocrisia dos revolucionários da atualidade não lhes permite levantar uma voz pela defesa de todas as minorias perseguidas e assassinadas pelo extremismo religioso que vigora no Irão.

A hipocrisia dos revolucionários da atualidade não lhes permite assistir aos vídeos gravados pelas vítimas do massacre de 7 de Outubro de 2023 em Israel, com sucedeu com os “ativistas” da recente flotilha apreendida pelos serviços de defesa israelita, cuja iniciativa foi patrocinada por dinheiros de grupos terroristas.

Infelizmente, os revolucionários da atualidade não cuidam em defender a verdade total dos factos, e por norma, a verdade é bem mais complexa do que pensamos.

Os revolucionários da atualidade são tão extremistas como os extremistas que criticam e condenam – Que Deus e Alá nos protejam de ambos!