
Hoje assistimos a um intenso debate sobre a importância do estreito de Ormuz, localizado no Médio Oriente e por onde são exportados 20% do petróleo mundial.
A importância da geografia na definição do resultado final de um conflito ainda continua a ser algo a ter em consideração e Afonso de Albuquerque, o segundo Vice-rei da Índia, há muito que soube disso.
Infelizmente, o ensino da nossa história tem sido muito desvalorizada e empurrada para segundo plano, pois caso contrário não haveria tanta surpresa no leque de comentadores que pululam pelas nossas televisões quando discursam sobre a capacidade da República “Terrorista” Islâmica do Irão para dar cabo da economia mundial fechando apenas uma passagem com pouco mais de 30Km de largura.
Afonso de Albuquerque é uma figura incontornável da história da expansão marítima portuguesa, mas mais importante é uma figura central na afirmação da capacidade da Coroa de Portugal em construir e dominar um império, por sinal, atrevo-me a dizer, o maior, geograficamente falando, da humanidade.
Quem conhecer a vida e as ações de Afonso de Albuquerque, nomeado pelo Rei D. Manuel I, depois de ter servido D. João II e ter adquirido uma vasta experiência militar na costa africana, quer como comandante e estratega, quer antes como soldado no campo de batalha, facilmente teria consciência do que sucede na atualidade.
Transpor os usos e costumes da época, a diferença de religiões e formas de olhar o outro, e a visão estratégica do ocidente sobre o oriente e vice-versa, para o século em curso, com os devidos ajustes que a realidade impõe, permite-nos entender melhor o porquê do conflito no médio oriente.
As razões não são de agora, e estes conflitos só voltarão a “descalar” quando ocorrer o domínio inquestionável de uma visão do mundo por parte de um dos hemisférios.
Afonso de Albuquerque sempre soube disso, e se nós tivéssemos a humildade para estudar a nossa história, sem os óculos que a cultura “Woke”, enraizada na esquerda trauliteira que ainda domina as agendas mediáticas, estaríamos hoje mais conscientes do que está realmente em jogo, não apenas no conflito do médio oriente, mas de igual modo na Ucrânia, entre outros.
Ao longo da nossa história tivemos um conjunto de figuras que marcaram a evolução das sociedades no último milénio, e o Vice-rei da índia foi uma delas. Pena é que o relevo que elas merecem, não seja transmitido às gerações mais novas, cada vez mais inaptas para compreenderem o mundo atual, já de si enviesado pelo Tiktok.
Já agora, sabem quem domina o tiktok?
Fácil, é a Republica Popular da China! Por sinal uma ditadura que tendemos a esquecer, onde a liberdade de expressão não existe, as liberdades individuais submetem-se ao interesse do Estado, e é este que controla tudo.
Também para sabermos lidar com o Império “vermelho” deveríamos reaprender a história de Portugal, as alianças que no passado estabelecemos no Pacífico e os acordos que aí desenvolvemos.
Termino dizendo apenas: Afonso de Albuquerque foi o Português que ensinou ao mundo a importância de Ormuz e o papel do oriente, que a Índia estuda e os portugueses apagaram da sua memória.

