NOTA DA SEMANA: Apertem os cintos, vamos descolar!

Depois da diabolização realizada à operação de privatização da Transportadora Aérea Portuguesa (TAP) no executivo de Pedro Passos Coelho, cujo contrato foi assinado em Junho de 2015 e a venda concretizada em Novembro do mesmo ano com o consórcio Atlantic Gateway.

Depois da nacionalização dos 61% dessa operação de privatização, logo em 2016 com o Governo de António Costa.

Depois da injeção de 3 mil e 200 milhões de euros de todos os contribuintes, que serviram para pagar indemnizações aprovadas por Whatsapp do anterior Ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, e o despedimento da CEO pelo próprio, quando esta obteve resultados positivos na TAP.

Depois de se ter percebido que a companhia de aviação portuguesa não vale sequer metade do dinheiro que lá foi enterrado, foi anunciada a privatização de 49,9% da mesma, um pouco menos do que os 50,1% inicialmente anunciados por António Costa no final do seu último mandato.

Enfim, depois de tanta cambalhota, parece que todos de bom senso parecem concordar com a privatização da TAP. Pelo meio perderam-se 10 anos, 3mil e 200 milhões de euros e mais uns trocos para indemnizações dos trabalhadores despedidos por altura da pandemia do COVID-19.

Contudo, e se todos tivéssemos memória, a privatização da TAP está em cima da mesa dos políticos desde 1991, atravessando diversos governos do PSD e do PS, andando apenas ao sabor dos interesses eleitorais e nunca ao sabor do interesse nacional.

A questão da TAP, da CP, do METRO, e de tantas outras empresas públicas de dimensão nacional, merecem uma reflexão profunda sobre a sua continuidade na dependência direta do Estado.

Essas grandes empresas há muito que deixaram de ser economicamente viáveis, ou sequer de defenderem o interesse público, na medida em que são hoje meros campos de luta ideológica, servindo apenas como espaço de medição do impacto das greves de uma parte dos Partidos Políticos de esquerda, afetando apenas os cidadãos mais vulneráveis que delas dependem.

Quanto à TAP, o constante argumento invocado para que seja mantida na esfera do Estado é a de que assegura a entrada de uma enorme fonte de receitas, através do crescimento do Setor do Turismo. Neste caso, seguramente que quem usa este argumento escamoteia completamente que a maior parte dos turistas que visitam e escolhem Portugal, há muito que utilizam outras companhias áreas.

Por outro lado, qualquer operação de privatização, à semelhança da que sucedeu em 2015, deverá pressupor que o Estado saberá defender a manutenção dos centros de decisão e de operação em território nacional.

O Estado, cuja função é a de regular a distribuição da riqueza, e assim assegurar um modelo justo de proteção social, sabe bem que nunca foi capaz de produzir riqueza, tendo uma tendência natural apenas para a desbaratar, especialmente se este for dominado pelos “boys” que nunca trabalharam e desconhecem o custo da vida.

Esse mesmo Estado deve perceber que a complexidade de algumas empresas públicas já não lhes permite servir o interesse público, antes pelo contrário, desvirtuam a natureza desse mesmo serviço público.

Era preferível termos a TAP, a CP e o METRO privatizados, ao invés da Rede Energética Nacional (REN), dos CTT concessionados, os Portos Marítimos e outros do mesmo género.

Enfim, apertemos o cinto, pois o avião vais descolar!