NOTA DA SEMANA: Ceuta – a Imigração como arma política e económica

Quando há alguns meses atrás, mais precisamente em Abril, o governo de Pedro Sánchez decidiu regularizar meio milhão de imigrantes, logo no horizonte se perspetivaram ondas de choque por toda a Europa.

Nesse processo, os candidatos ultrapassaram largamente a meta estabelecida, alcançando rapidamente o número de um milhão de pessoas, resultado do movimento de inúmeros imigrantes não apenas da Africa subsariana, mas de igual modo das comunidades Indo-paquistanesas.

O governo espanhol, liderado por Pedro Sánchez tem marcado a agenda política europeia, muitas das vezes em contraciclo, nomeadamente no campo das políticas de imigração, agregando em si muitos dos partidos políticos de esquerda europeia, nomeadamente a portuguesa.

Pedro Sánchez tem-se tornado assim um certo messias para uma esquerda perdida, e de certo modo à deriva, como o Bloco de Esquerda e o Livre, isto em Portugal.

Não obstante essa insistente vontade em marcar a diferença na Europa, o governo espanhol está enredado por inúmeros escândalos que vão desde a corrupção, passando pelo assédio e até ao roubo de fundos públicos, e um número significativo dos membros do círculo mais íntimo do Primeiro-ministro espanhol iá foi alvo de investigações judiciais.

No entanto, o instinto de sobrevivência de Pedro Sánchez é mais forte e a cada anúncio de novo escândalo há logo uma fuga para a frente… e assim vai subsistindo no poder.

E também aqui a agenda partilhada por vários grupos de esquerda mais radical tem servido de rede a muitas das políticas do governo espanhol, o que não augura nada de bom no País vizinho.

O último dos episódios ocorreu na semana passada com a invasão civil da cidade espanhola de Ceuta, a mesma que foi a primeira praça no continente africano conquistada pelos portugueses no início da expansão marítima e da epopeia das descobertas.

De um momento para o outro, mais de 60 mil imigrantes, entrados pelo Reino de Marrocos, chegaram à cidade que tinha pouco mais de 83 mil habitantes, invadindo literalmente aquela localidade espanhola.

Para termos uma ideia, a cidade de Faro tem pouco mais de 41 mil habitantes e o concelho pouco mais de 67 mil residentes, o que significava que uma avalanche desta natureza alterava completamente a vida nessa localidade e nesse pedaço do território nacional.

Infelizmente, e por falta de responsabilidade politica, o governo espanhol tem condenado e encaminhado vários países europeus para as mãos de outros países que fazem da imigração a sua arma de eleição para pressionar a Europa.

Não é apenas Marrocos que usa a imigração para pressionar o Reino de Espanha, e por conseguinte a Europa, também a Turquia faz a mesma política colocando a União Europeia de “joelhos” perante as exigências monetárias para suster as vagas de migrantes.

A imigração passou a ser uma arma que tem respaldo nas ideologias mais radicais de esquerda, servindo como bandeira na defesa dos valores humanistas, quando o mais importante era que a Europa tivesse a força e a pressão necessárias para que muitos países de onde vêm as vagas de migrantes fossem mais democratas, mais desenvolvidos e isso sim, mais humanistas!

Pelo contrário, os imigrantes, vulneráveis às mafias de tráfico de seres humanos, e já agora sujeitos aos ditames de governos autocráticos e ditatoriais, passaram a servir apenas o propósito de pressionar os países europeus, com maior ou menor conivência de certas agendas de políticos como Pedro Sánchez.

O que sucedeu em Ceuta pode muito bem acontecer em outros locais, incluindo em Portugal e dizer isto não é fazer a apologia de qualquer ideologia politica, é apenas constatar os factos e a realidade, nua e crua de uma Europa sem coragem e demasiado habituada ao conforto da sua aparente superioridade moral!