NOTA DA SEMANA: Nem Feira do Mont’Alto, nem FICABEIRA, resta a Noite Branca…!

FOTO: CM Arganil

Chegou ao fim o Verão, ou pelo menos o período de férias, para a maioria dos cidadãos que se encontram na vida ativa, sendo o encerramento desta estação assinalada com diversos eventos, neste caso em concreto, na Vila de Arganil, com a realização da Noite Branca.

Apesar desta estação do ano (Verão), olhando para o calendário, não ter o seu fim antes de 23 de Setembro, podemos afirmar que caminhamos a passos largos para o Outono, e, habitualmente, cabia à Feira do Mont’Alto o marco simbólico da transição de estações aqui na Beira Serra

No entanto, e como inicialmente referi, essa honra cabe agora à Noite Branca realizada na vila de Arganil!

Com efeito, ao longo dos últimos anos tenho, nesta crónica semanal, alertado para o definhamento da Feira do Mont’Alto e, por consequência, a irrelevância da FICABEIRA no panorama regional, quando comparados com outros certames similares.

Desta vez, optei por realizar este alerta antes da sua realização, para que possa ter outro tipo de ressonância em prol da Região, do Concelho, e da Vila de Arganil.

Anualmente, ouvimos sempre os mesmos argumentos para justificar o modelo atual de organização dos dois certames, radicando estes na necessidade de inovação e diferenciação dos eventos, os quais têm que ser ajustados à dinâmica dos tempos.

O mercado semanal, e as novas formas de comércio são usados para justificar as experiências sucessivas que apenas têm contribuído para o desaparecimento do tradicional certame – Feira do Mont’Alto.

Pelo contrário, pouco ou nada essa diferenciação, ou sequer esse experimentalismo, têm alavancado os certames em causa, nem a Feira do Mont’Alto tem a projeção devida e o reconhecimento histórico que lhe cabe, e muito menos a FICABEIRA tem a visibilidade e o impacto de outros tempos.

A Feira do Mont’Alto pouco mais é do que uma nota de rodapé no anúncio do cartaz da FICABEIRA, aliás, o definhamento desta teve o seu início quando o próprio nome da tradicional feira passou para segundo plano, e se concretizou a mudança de local no que à sua realização diz respeito.

Já a FICABEIRA, na atualidade, nada tem que ver com a Feira Industrial e Comercial da Beira Serra, mais se assemelha a um “sunset” de fecho dos concertos de verão, apenas isso.

É certo que, politicamente, é legítima a organização destes eventos de acordo com a orientação estratégica definida para o concelho e a política do momento, mas como os certames estão dinamizados seria preferível chamar-lhes outra coisa. É apenas uma sugestão!

A sequência de experiências na organização da Feira do Mont’Alto remonta a 2006, e desde lá para cá, a importância do evento tem caído abruptamente, coincidindo com a mudança de espaço, o qual tem sido marcado pela redução de área destinada ao secular evento, ao mesmo tempo que se passou a colocar a venda de artefacto diversos como mobiliário, artesanato, calçado, entre outros, no interior da FICABEIRA, e assim foi durante vários anos.

Artefactos e produtos esses que integravam o portefólio da Feira do Mont’Alto, fazendo parte do leque de vendas dos feirantes, mas que, num dado momento, interessava que fossem deslocalizados para aumentar o número de stands no interior da FICABEIRA.

A FICABEIRA passou a ser projetada de acordo com o número de stands existentes, independentemente de serem de empresas ou não, o que interessava era o número de barracas montadas e a isso ajudava tudo que era instituição, juntas de freguesia, associações e coletividades…

Depois, o acesso à Feira do Mont’Alto passou a ser pago em 2024, com o argumento de que era para ajudar uma Instituição do Setor Social, e assim continuou em 2025, já para minimizar também os custos do cartaz e da organização da FICABEIRA!

Chegados a 2026 temos um modelo híbrido de pagamento. É cobrado para entrar no recinto (Feira do Mont’Alto e FICABEIRA), mas se sair antes de jantar (20h) recebe o dinheiro de volta.

Impõe-se então a seguinte questão: Por acaso a Feira do Mont’Alto encerra às 20h!?

Todos sabemos que nunca foi o caso, os divertimentos, os feirantes, as “farturas” e outras atividades que integram o tradicional e secular certame continuavam, e continuam, bem para lá desse horário.

Em bom rigor, a introdução do pagamento para aceder à Feira do Mont’Alto atenta contra a sua natureza, neste caso o facto de ser uma feira franca, cuja designação histórica é a de que a sua entrada é livre, ou seja gratuita. Contudo, camuflou-se isto com a FICABEIRA e com a pretensa solidariedade, que não deixou de ser injusta para outras entidades e instituições, essas sim com sede local!

Não obstante a inclusão dessa prática de se cobrar o acesso à Feira do Mont’Alto, fosse antes ou seja agora, não terá sido por falta de aviso de que essa colidia com a natureza de entrada gratuita a esse evento em particular. Infelizmente, agora, tal como antes, poucos terão sido aqueles a contestar tal opção. Muito provavelmente por desconhecimento, ou por excesso de comodismo!

Sucede porém, que nunca me pareceu ser de difícil implementação a colocação das bilheteiras à entrada da FICABEIRA (acesso stands e concertos), deixando desse modo de fora a Feira do Mont’Alto e a cobrança de entradas nesta, repondo a natureza de feira franca a este tradicional certame.

Por que motivo então, se optou por colocar as bilheteiras e a respetiva cobrança no espaço que antecede o acesso à Feira do Mont’Alto (2024/2025), se esta tem uma natureza gratuita?

Impõe-se, mais do que nunca, que se pense realmente o futuro da Feira do Mont’Alto e da FICABEIRA, e muitas vezes perceber que não vale a pena sermos teimosos em manter um modelo que já provou não corresponder, esse sim, aos novos tempos.

A passagem da Feira do Mont’Alto e da FICABEIRA do Paço Grande para o Subpaço foi um erro, os experimentalismos realizados não impulsionaram os certames, antes pelo contrário, aceleraram a sua perda de importância, e não querer discutir isto ou assumir o regresso à génese é apenas acelerar a perda de relevância destes eventos.

Quando outros concelhos decidiram retomar, ou reforçar, os certames tradicionais baseados em Feiras, como é o caso de Montemor-o-Velho, ou mesmo Viseu, nós por cá vamos desmantelando a Feira do Mont’Alto, o verdadeiro certame que nos distingue na Região e que está associado ao feriado municipal 7 de Setembro, dia grande da Feira.

Se tiverem dúvidas olhem para as festas concelhias em nosso redor, e verifiquem que o único concelho que possui a existência de uma Feira neste contexto, é o concelho de Arganil, sendo a Feira do Mont’Alto a referência ancestral deste território e foi a partir deste que nasceu a FICABEIRA.

E se porventura alguém disser que o Paço Grande não tem condições para acolher a Feira do Mont’Alto, perguntem se este tem para receber a Feira das Freguesias!?

A FICABEIRA foi forte enquanto a Feira do Mont’Alto também o foi, alterar este paradigma é tornar irrelevante as duas! Haja coragem para mudar e regressar à essência das coisas…