
No próximo dia 20 de Setembro, a partir das 15 horas, a igreja de São Gens, em Ponte de Sótão, no concelho de Góis, acolhe uma cerimónia de homenagem a Monsenhor Nunes Pereira, que inclui a celebração de uma missa e a inauguração de um mural comemorativo dedicado à sua memória.
O Município de Góis integra o percurso comemorativo dedicado a Monsenhor Augusto Nunes Pereira nesta homenagem que evidencia a ligação do sacerdote, artista e humanista ao território e ao legado artístico que deixou no concelho, numa iniciativa que integra o programa “Nunes Pereira: do Nascimento ao [re]nascimento”, que decorre entre 3 de Dezembro de 2025 e 9 de Dezembro de 2026, assinalando os 120 anos do nascimento e os 25 anos da morte de uma figura de referência da cultura da Região Centro.
Nascido a 3 de Dezembro de 1906, na Mata (Fajão), do concelho de Pampilhosa da Serra, Augusto Nunes Pereira morreu a 1 de Junho de 2001, em Coimbra. Foi sacerdote da Diocese de Coimbra (pároco em Montemor-o-Velho entre 1929 e 1935, pároco de Coja (Arganil) entre 1935 e 1952 e pároco de São Bartolomeu (Coimbra) entre 1952 e 1980), e destacou-se também enquanto artista (desenho, xilogravura, gravura, pintura, escultura e vitral), escritor, poeta, professor, humanista e estudioso do património e da história. A sua produção artística, particularmente ligada à arte sacra, encontra-se dispersa por diferentes espaços religiosos e instituições da Região Centro. A Oficina-Museu Nunes Pereira, instalada no Seminário Maior de Coimbra, reúne actualmente mais de 15 mil peças da sua obra.
Ponte do Sótão guarda parte do seu legado artístico
Em Góis, a igreja de São Gens, em Ponte do Sótão, constitui um dos principais testemunhos da presença artística de Nunes Pereira. Inaugurado e aberto ao culto a 20 de Setembro de 1970, o templo assinala, em 2026, 56 anos de existência. No local onde anteriormente existia um olival, nasceu, nos finais da década de 1950, o desejo da comunidade de erguer um espaço dedicado à celebração religiosa, concretizado ao longo de cerca de uma década com o envolvimento da população local e a colaboração da Fábrica de Papel de Ponte do Sótão.
O edifício reflete o traço artístico de Nunes Pereira e integra diversas obras da sua autoria, entre as quais os vitrais, a Via-Sacra em ferro forjado e outras peças de temática religiosa. O templo guarda ainda as imagens de São Gens e Santa Ana.
A coincidência entre a data da inauguração do templo e a cerimónia comemorativa ganha, por isso, um significado particular: a 20 de Setembro de 2026, a comunidade volta a reunir-se naquele espaço para assinalar o contributo de quem esteve ligado à sua conceção artística e à construção do seu património.
Requalificação marcou uma nova etapa para o templo
A homenagem ocorre num momento igualmente relevante para a preservação da igreja de Ponte do Sótão. Em 2020, quando se assinalaram os 50 anos do templo, a Comissão de Culto, com o apoio da Associação de Melhoramentos e da Casa do Povo de Ponte do Sótão, lançou uma campanha de angariação de fundos destinada a financiar a sua requalificação. O Município de Góis associou-se ao processo através da atribuição de um subsídio, nos termos do Regulamento Municipal para a Concessão de Subsídios, e do financiamento do restauro dos vitrais. As obras foram inauguradas a 30 de Novembro de 2025, numa cerimónia que reuniu representantes das entidades envolvidas, comunidade e amigos/as de Ponte do Sótão, assinalando a concretização de um processo marcado pelo envolvimento e pela mobilização da comunidade local.
Sete Municípios unidos na homenagem
O percurso comemorativo de Nunes Pereira é promovido por uma comissão executiva constituída pelo Seminário Maior de Coimbra e pelo Museu Nacional de Machado de Castro, que asseguram a coordenação geral, em articulação com os Municípios de Arganil, Cantanhede, Coimbra, Góis, Lousã, Montemor-o-Velho e Pampilhosa da Serra. Ao longo do período comemorativo, os Municípios parceiros acolhem diferentes ações destinadas a divulgar a vida e a obra de Nunes Pereira, num programa que cruza património, artes, literatura, música, teatro e poesia.
Em Góis, a inauguração do mural acrescenta uma nova expressão a este percurso, colocando a homenagem no próprio espaço onde permanece parte significativa da obra do artista. A iniciativa estabelece, assim, uma ligação entre a memória de Nunes Pereira, o património religioso de Ponte do Sótão e a história da comunidade que contribuiu para a construção e preservação daquele templo.
Com esta homenagem, o Município de Góis contribui para a salvaguarda e divulgação do legado cultural, artístico e espiritual de Monsenhor Augusto Nunes Pereira, valorizando simultaneamente um património que permanece integrado na identidade cultural do concelho.

