PRESIDENCIAIS 2026: ANTÓNIO JOSÉ SEGURO ELEITO PRESIDENTE DA REPÚBLICA: “A maioria que me elegeu extingue-se esta noite. Esta vitória não é minha, é nossa”

Apesar de ainda faltarem contar os votos em 20 freguesias e em 6 consulados, 3.483.470 portugueses deram a vitória a António José Seguro, nesta segunda volta das Eleições Presidenciais.

No mapa nacional – e ainda que faltem aqueles resultados, que só serão apurados no próximo domingo, dia 15 – a cor predominante é a “rosa”, em contra-ponto com o azul do candidato derrotado, que apenas conseguiu vencer no concelho de Elvas (distrito de Portalegre), por uma margem de 1,7% (4.760 contra 4.601 votos).

Na relação entre a 1.ª e a 2.ª volta das eleições, verifica-se que António José Seguro duplicou os votos enquanto André Ventura registou uma subida de 413.496 votos.

Depois de uma “travessia no deserto” de dez anos, convém recordar que António José Segurou avançou para a corrida a Belém, sem qualquer apoio partidário, e só depois do seu anúncio é que o Partido Socialista – meio envergonhado – assumiu que Seguro era o “seu” candidato…

Com os resultados da 1.ª volta a ditarem um segundo “round”, António José Seguro, pela sua coerência e clareza de ideias e, sobretudo, sentido de Estado, viu ser-lhe manifestado apoio de vários quadrantes políticos e de gradas figuras da sociedade portuguesa, augurando o resultado final que se verificou no domingo. Do outro lado, os portugueses viram uma candidatura com um “projecto dúbio”, mas sobretudo o (des)nível da campanha eleitoral por parte do candidato e do seu partido. E o resultado acabou por ser o esperado: a vitória da Democracia sobre uma extrema-direita, no mínimo, populista.

Em relação aos 17 concelhos do distrito de Coimbra, António José Seguro registou uma expressiva vitória em toda a linha. De resto, o novo PR conseguiu melhores resultados em distritos que votaram AD nas legislativas: 40,2% em Castelo Branco, ganho pela AD em Maio de 2025 nas Legislativas; 35,91% na Guarda (AD), 35,47% em Coimbra (AD) e 33,7% em Beja (Chega); em Évora, o único círculo eleitoral ganho pelos socialistas em 2025, António José Seguro obteve 33,46%, quase mais dez pontos percentuais que o PS em Maio do ano passado.

António José Seguro é o 7.º Presidente da República Portuguesa eleito em Democracia (pós-25 de Abril de 1974). Mas também o primeiro a superar o número de votos conquistados por Mário Soares em 1991 e de António Ramalho Eanes em 1980, estes, os primeiros a ultrapassarem os três milhões de votos.

No domingo, após a divulgação dos resultados, nas Caldas da Rainha, onde vive, o Presidente da República eleito não esqueceu o momento devastador que assola o país.

«A minha primeira palavra é de pesar pelas 15 vidas perdidas causadas pela catástrofe que nos atingiu; de condolências às suas famílias e de solidariedade total com quem ficou sem casa ou sem empresa; para quem ainda não consegue fazer uma vida normal, seja por falta de energia eléctrica, de água, de telecomunicações, de estradas transitáveis; e para com as empresas com dificuldades em produzir e pagar salários.

A solidariedade dos portugueses foi heróica, mas a solidariedade dos portugueses não pode substituir a responsabilidade do Estado. Os 2,5 mil milhões de euros prometidos para a reconstrução têm de chegar ao terreno agora. Não aceitarei burocracias que impeçam a chegada dos apoios a quem já perdeu tanto ou mesmo tudo.

Visitarei as zonas afectadas para garantir que os apoios estão a chegar. Não vos esquecerei e não vos abandonarei.

A resposta à dor não é o grito, é o trabalho. E há muito trabalho a fazer. Precisamos de um país preparado, não de um país surpreendido. Temos de ser melhores na organização do que no improviso. Precisamos de organizar e planear melhor os recursos do país para que o Estado responda a tempo e horas às vítimas e às consequências dos fenómenos atmosféricos severos que cada vez serão mais frequentes.

Saúdo todos os portugueses que nestas condições difíceis foram votar, que afirmaram a sua cidadania e deram voz aos valores em que acreditam. Cada um, a seu modo, contribuiu para o fortalecimento da nossa Democracia. Os vencedores esta noite são os Portugueses e a Democracia.
Os portugueses por terem em condições muito adversas, superado mais um desafio e afirmado a sua cidadania.

A Democracia porque o processo e o resultado evidenciam uma forte adesão aos valores democráticos e a afirmação de um Portugal plural, unido na sua identidade colectiva.

Esta vitória de Portugal e da Democracia resulta de um trabalho que devo saudar: de todos os portugueses que organizaram e concretizaram o processo eleitoral, nomeadamente os membros das mesas de voto. Também a todos os que deram o seu contributo para que muitos eleitores pudessem deslocar-se às mesas de voto. Às mulheres e aos homens da protecção civil, bombeiros, autarcas, militares, forças de segurança, trabalhadores das empresas privadas e funcionários da acção social. A todos e a todas o meu agradecimento emocionado».

Num registo mais político, António José Seguro deixou claro que, a partir daquele momento é o “Presidente de todos os Portugueses”, assegurando que (…) «a maioria que me elegeu extingue-se esta noite».

«Esta vitória não é minha, é nossa. É de cada pessoa que acreditou e tem esperança num país melhor; num Portugal moderno e justo, onde todos somos iguais nas nossas necessidades e diferentes nas nossas liberdades. Um país que avança sem deixar ninguém para trás.

Aceito com muita humildade e enorme emoção a confiança que os portugueses – em Portugal e na diáspora – acabam de me confiar: ser o seu Presidente da República. O Presidente de todos os portugueses. Dos que votaram em mim, dos que fizeram outra opção, dos que ainda não votaram e dos que optaram por não votar. A todos saúdo por igual, como Presidente eleito da República Portuguesa».

Dirigindo-se aos anteriores Presidentes da República (PR), António José Seguro reconheceu que cada um, no seu tempo e no seu estilo (…) «serviu o nosso país com devoção e compromisso com o interesse nacional e com a democracia. Eu servirei Portugal com o mesmo compromisso e no meu próprio estilo», sublinhou.

«Sou livre. Vivo sem amarras (…) a minha liberdade é a garantia da minha independência. E é em total liberdade que reafirmo a minha lealdade à Constituição da República, o nosso chão comum que nos permite viver em paz e em liberdade como comunidade, quaisquer que sejam as nossas ideias; a natureza independente da minha acção, tratando por igual todos os partidos políticos e parceiros sociais; a promoção de relações profícuas com o parlamento e com o Governo. Prometi lealdade e cooperação institucional com o Governo. Cumprirei a minha palavra».

 O PR eleito deixou ainda claro que (…) «jamais serei um contra-poder, mas serei um Presidente exigente com soluções e com resultados. Não serei oposição, serei exigência». «Portugal tem uma oportunidade única para que os partidos políticos, o parlamento e o Governo encontrem soluções duradouras para resolver os graves problemas que enfrentamos».

«Estarei vigilante: farei as perguntas difíceis e exigirei as respostas que o país precisa. Em Belém, os interesses ficam à porta. A transparência e a ética são inegociáveis».

«O futuro constrói-se com lucidez e confiança nas nossas capacidades, nos nossos jovens e nas nossas empresas. Recuso a narrativa da decadência. Somos um país de talento, de trabalho, de inovação e de humanidade. O medo paralisa, a esperança constrói. Somos maiores do que qualquer crise. O futuro não se espera, faz-se. Portugal tem força para se levantar. Portugal tem todas as condições para ser melhor». «Todos somos portugueses. Todos somos Portugal. Viva Portugal».