
A Junta de Freguesia de São Gião procedeu, na passada quinta-feira, dia 13, à entrega de medalhas aos antigos combatentes do Ultramar naturais da freguesia, numa cerimónia que contou com a presença do Ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, à qual se associaram o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Francisco Rolo e o presidente do Núcleo de Coimbra da Liga dos Combatentes Coimbra, Tenente-Coronel João Paulino.
A cerimónia recorde-se, advém da “requisição de medalhas efectuada durante a sessão comemorativa do Dia de Portugal, realizada a 10 de Junho de 2023, aquando da inauguração do Memorial dos Antigos Combatentes do Ultramar de São Gião”. «Já passaram os dois anos, na época ficou prometido que em justa data se faria a devida homenagem com a atribuição das insígnias», explicou o presidente da Junta de Freguesia, ao frisar que, neste hiato, já faleceram dois antigos combatentes e outros dois se encontram hospitalizados.
Apesar deste contratempo (…) «é um sentimento que é, sem dúvida, de dever cumprido porque acho que se tem que fazer justiça com a História», sublinhou Rafael Dias, ao salientar que a freguesia de São Gião “deu” 75 combatentes à Pátria – alguns dos quais já tinham recebido as insígnias – e, (…) «estatisticamente, quase um terço da nossa freguesia era composto por antigos combatentes do ultramar, portanto acho que é de inteira justiça» a cerimónia agora realizada, e em que estiveram presentes 19 antigos militares (ver caixa).
Começando por assumir que (…) «os antigos combatentes são realmente heróis de Portugal», o Ministro da Defesa Nacional fez notar que (…) «é por isso que, sendo heróis de Portugal, mal do povo que não honra a sua memória». «Nunca tive nada que me fizesse mais confusão na política do que um tempo demasiado prolongado em que se tentou esconder aquilo que é o momento da nossa história, do qual nós só nos podemos honrar, porque a nossa história é feita de muitos ciclos, é feita de virtudes, é feita, certamente, de alguns defeitos, mas no balanço, eu devo dizer que dela, como um todo, tenho orgulho», deitando, assim por terra, eventuais “incómodos” políticos.
«Aqui neste concelho houve 23 filhos de Oliveira do Hospital que tombaram, que morreram a combater entre 1961 e 1975. Nós hoje estamos, felizmente, a homenagear os vivos». «Mas houve os que tombaram, os que encarnaram no sacrifício supremo a essência da condição militar. E houve muitos que não tombaram, mas que trouxeram no corpo, e muitas vezes na mente, as marcas desse momento. No momento em que lutaram por uma Pátria que era a sua, numa ideia de Pátria em que foram criados, e sem que lhes fosse, de qualquer modo, dada alternativa sobre irem ou ficarem, pelo menos, em condições normais. É por isso que eu vou tendo os antigos combatentes como uma prioridade no meu mandato. Quer no primeiro governo quer agora, e será assim até o último dia em que esteja no governo.
Sei também que nada do que se faça será suficiente. E sei também que muito do que esperam talvez não seja conseguido. Limito-me apenas, enquanto governante, a tentar alcançar o possível», sublinhou o governante.
Nuno Melo destacou ainda o que tem sido feito para agilizar o acesso aos cuidados de saúde – aquisição de medicamentos – bem como dos processos relativos aos deficientes das Forças Armadas, assim como na aquisição de novos equipamentos para o Hospital das Forças Armadas e da construção do Pólo de Cirurgia naquele hospital que (…) «vai ser o mais sofisticado que existe no país». «Nunca prometerei nada que ao outro dia não faça», garantiu.
Para José Francisco Rolo a iniciativa da Junta de Freguesia de São Gião, de atribuição das insígnias (…) «é justíssima, porque estes homens sofreram e “deram o corpo ao manifesto”, pelo que são mais do que justas estas homenagens», sem esquecer (…) «os que pereceram e as famílias, aqueles que sofreram com a dor da perda».
O presidente da Câmara Municipal lembrou também que o Município de Oliveira do Hospital já homenageou antigos combatentes em diversas iniciativas, admitindo apoiar os autarcas que queiram replicar a homenagem em cada uma das suas freguesias.
Considerando ser um “dia festivo”, o presidente do Núcleo de Coimbra da Liga dos Combatentes elogiou todos os combatentes no cumprimento da sua missão. «Foi uma guerra que nos deixou marcas», admitiu.
João Paulino terminou com uma palavra às esposas (…) «que tiveram e têm um papel muito importante no equilibro familiar», e por isso, também elas, (…) «umas verdadeiras heroínas».

