
No dia 10 de Junho, a Editorial Moura Pinto e a Junta de Freguesia de Folques prestaram uma justa e sentida homenagem póstuma ao dr. Carlos Maia Teixeira, médico, político, poeta e cidadão livre que, ao longo da sua vida, procurou “agir numa sociedade de actores e não apenas de espectadores, (…) foi um dos que lutou para fazer chegar a luz a muitos espíritos, combatendo assim a indiferença cívica que faz do obscurantismo uma autêntica pandemia social”.
Foram palavras do seu amigo e jornalista António César Quaresma Ventura, na sessão evocativa (intercalada com momentos musicais e de poesia) realizada na sede da Junta de Freguesia, que foi (muito) pequena para acolher todos aqueles que quiseram estar presentes e recordar o saudoso amigo, falecido em Janeiro ao ano passado e que, como foi referido pelo presidente da Câmara Municipal, Luís Paulo Costa, foi daqueles que “apesar da morte perpetuam o seu legado e tornam-se imortais, (…) deixou uma marca indelével”.
“A presença de tantos amigos nesta homenagem, significa que o dr. Teixeira está ainda bem presente na vida de todos, marca a sua imortalidade e isso é um passo que nem todos conseguem conquistar”, salientou ainda Luís Paulo Costa. E isso ficou também bem vincado nas palavras do presidente da Editorial Moura Pinto, Filipe Manuel Costa, que entregou à filha do homenageado, Raquel Teixeira, um diploma de sócio de mérito atribuído (a título póstumo) a seu pai, recordando que foi “sócio-fundador e grande impulsionador da Editorial Moura Pinto”.
“A recordação em que comungamos é simultaneamente digna e oportuna porque homenageia quem, ao longo da vida, procurou contribuir para a elevação da comunidade através da sua transformação com relevo para a saúde e educação, (…) procurando agir numa sociedade de actores e não apenas de espectadores”, considerou António César Ventura, historiando a vida e obra deixada por Carlos Maia Teixeira, que combateu “a indiferença cívica que faz do obscurantismo uma autêntica pandemia social, (…) foi um empenhado combatente na luta contra esse terrível mal da indiferença cívica”, referido ainda que a “sua vida cultural foi sem dúvida uma das frentes desse combate”.
E depois de recordar “com uma pontinha de saudosa vaidade”, o homenageado, também o seu sentido de família e no amor que dedicava à esposa Graça Paiva Gomes, “companheira omnipresente nos bons, maus e péssimos momentos”, aos filhos Marta Raquel e Renato, António César Ventura disse depois que “foi com o coração e com a razão que o dr. Carlos Maia Teixeira aderiu e se inseriu na tradição associativa”, recordando ainda a sua dedicação, de entre outras, à Assistência Folquense, à qual “disponibilizou não apenas o seu saber de dirigente, como também a sua ciência médica de forma totalmente gratuita”, as iniciativas culturais nas quais esteve empenhado como os Encontros do Mosteiro, “entregou-se de forma total mas o reconhecimento que veio a receber traduziu-se em ódios negros, tanto no coração como na alma”, terminando por referir “se do nosso amigo Carlos há-de ficar alguma recordação, ela é, certamente, a daquele que perante qualquer solicitação era incapaz de dizer não”.
Emocionada e em representação da família, a filha Raquel Teixeira, começou recordar que “o meu pai é um exemplo de dedicação e alma. (…) A tua generosidade nunca se esgotou nas paredes da nossa casa. Como médico, cuidaste da comunidade com uma dedicação rara e como cidadão lutaste sempre pela tua terra escolhida, por valores maiores e por tudo o que este dia (10 de Junho) representa. E é nesta tua humanidade que reside, talvez, a tua maior ligação à poesia, tal como nos grandes versos que tanto amaste e partilhaste. A tua paixão pela literatura e pelos poetas enriqueceu a nossa casa e moldou a forma como vemos o mundo. Pelo teu exemplo diário, que era ajudar o próximo, a consciência do médico e a sensibilidade do poeta, foste o nosso maior orgulho e ainda hoje e para sempre sentiremos a tua falta”.
“A nossa família caminha agora com uma ferida que não cicatriza, (…) a dor da tua partida é um eco constante nas nossas vidas”, disse ainda Raquel Teixeira, acrescentando que “olhamos para as ruas que percorreste e para os corações que tocaste com a tua medicina, a tua bondade e poesia, percebendo que a nossa terra ficou mais pobre, menos iluminada pela tua inteligência e pelo teu caráter inabalável. Perdemos um grande homem, um cidadão de excepção cuja memória se confunde com a história do lugar que tanto amaste. Deixaste um vazio que nem o tempo, por mais que passe, será capaz de preencher”.
E depois do elogio feito por um amigo, Casimiro Nogueira, em que salientou “são sempre múltiplos os motivos para recordar Carlos Teixeira. Um homem de convicções, assente sem pilares da moral e ética, de grande sabedoria e partilhava com os outros o recto caminho da honra e dever, defendendo uma trilogia plena, liberdade, igualdade, fraternidade. Toda a sua vida foi uma luta” e de recordar a última mensagem que lhe enviou, o presidente da Junta de Freguesia, Paulo Baptista, considerou que a ligação do médico Carlos Teixeira a Folques “é motivo de orgulho para toda a comunidade, (…) o seu legado construído com dedicação, talento e altruísmo permanecerá vivo na memória colectiva e continuará a inspirar as gerações vindouras”, acrescentando que “neste momento de reconhecimento, a Junta de Freguesia de Folques expressa a sua profunda gratidão e respeito, homenageando um homem cuja vida foi exemplo de serviço, cultura, solidariedade e humanismo”.
Paulo Baptista não deixou de referir ainda que o médico Carlos Teixeira “dedicou a sua vida a cuidar do próximo, exercendo a sua profissão com competência, humanidade e com um profundo sentido de missão”, considerando que “a sua acção marcou gerações de utentes que nele encontraram não apenas um profissional exemplar, mas também um conselheiro atento e um ser humano excepcional, portador de uma grande generosidade”.
Generosidade também reconhecida e enaltecida pelo presidente da Câmara Municipal e que ficou para sempre gravada na placa descerrada depois na sua casa, em Folques, “esta placa que hoje descerramos é muito mais do que um marco na fachada desta casa. É o testemunho eterno de respeito, da admiração e da profunda gratidão pelo homem pelo profissional que aqui viveu”, como afirmou o presidente da Junta de Freguesia, e depois no memorial inaugurado no Largo do Terreiro (de autoria do arquiteto Jorge Gonçalves) e que enriqueceram, ainda mais, a homenagem póstuma da Editorial Moura Pinto e da Junta de Freguesia de Folques ao médico, ao político, ao poeta que foi o dr. Carlos Maia Teixeira.

