ARGANIL: Filarmónica comemorou 173 anos

No final da recepção oficial, a foto de família das Filarmónicas aniversariante e visitante, autarcas e acompanhantes junto daquela que deveria ser a “Casa da Cultura” arganilense

No sábado, dia 18, decorreram as comemorações do 173.º aniversário da Associação Filarmónica de Arganil, que ficaram marcados pelo abraço amigo trazido pela Filarmónica Recreio de Santa Bárbara, uma freguesia do concelho de Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, e que agora vieram a Arganil em retribuição da visita feita há dois anos pelos arganilenses aos Açores.

E nos poucos dias que esteve entre nós, a Filarmónica de Santa Bárbara “espalhou magia”, como foi considerado pela presidente da direcção da Filarmónica de Arganil, Alexandra Novais. Nas actuações que teve na vila, no ensaio-concerto que realizou na noite de sexta-feira, na Praça, em Coja, nas visitas que lhes foram proporcionadas a locais emblemáticos do concelho como o Piódão, no acolhimento feito por algumas freguesias onde tiveram oportunidade de degustar algumas das nossas especialidades, de conviver num verdadeiro e salutar intercâmbio cultural e espírito filarmónico que tão bem caracteriza e só sentido e vivido por todos aqueles abraçaram e abraçam a causa das Filarmónicas.

E foi esse espírito que antes foi vivido e sentido nos Açores e agora em Arganil, como tão bem foi testemunhado por todos aqueles que tiveram oportunidade de o viver. Foram dias intensos e, como aconteceu aos arganilenses quando estiveram nos Açores, na hora da despedida os açorianos também deixaram cair lágrimas de saudade, mas como diz a canção, “partimos com a esperança de um dia aqui voltar”, de se voltarem a encontrar nas duas terras amigas, porque afinal e também como foi referido, “já fazem parte da grande família da Filarmónica de Arganil”.

Na manhã de sábado e depois da actuação conjunta das duas Filarmónicas na Praça Simões Dias, foi a recepção oficial à Filarmónica de Santa Bárbara no salão nobre dos Paços do Município, onde foram recebidos pelo vereador da Câmara Municipal, Luís Almeida, e onde estiveram presentes os acompanhantes da Filarmónica visitante, nomeadamente e de entre outros, o presidente da Junta de Freguesia de Santa Bárbara (e executante), Paulo Fagundes, o pároco, padre Jacob Vasconcelos, o presidente da direcção António Borges, todos saudados com muita amizade pelo presidente da assembleia geral da Associação Filarmónica de Arganil, Miguel Ventura (presidente da direcção quando da visita aos Açores), deixando também “um abraço para todos vós, executantes, que são a alma destas duas instituições”, para considerar depois que “hoje é um dia grande, hoje é o dia que esta Associação comemora os 173 anos” e, “neste dia marcante para a nossa terra, por poder retribuir a hospitalidade que recebemos quando, em Agosto de 2024, estivemos na vossa terra, em Santa Bárbara”.

“Valeu a pena este intercâmbio, que vai muito para além da música”, considerou ainda Miguel Ventura, recordando os primeiros contactos para que isso fosse possível “para chegar ao dia de hoje”, terminando com “um grande bem-haja pela vossa amizade, por estarem entre nós, sintam-se bem, sintam-se em casa conforme nós nos sentimos na vossa terra. Sejam bem-vindos e voltem sempre para que esta relação não morra” e, sem esquecer “a direcção da nossa querida Associação, vocês estão todos de parabéns pelo trabalho que têm feito, pela forma como estão a receber estes nossos amigos”.

A presidente da direcção, Alexandra Novais, começou por recordar que “estes laços de amizade já foram criados e foram semeados há dois anos atrás, quando nós fomos à vossa linda terra, Santa Bárbara, onde fomos tão felizes durante aquela semana, (…) sentimo-nos em casa quando estivemos ao pé de vocês e tentamos fazer exatamente o mesmo agora a vocês estão cá ao pé de nós”, para agradecer depois “a toda a equipa que está por trás da direcção e que, além da direcção, nos ajuda todos os dias e contribui para que isto seja um sucesso”, agradeceu ainda o apoio de pessoas e de instituições, terminando com “bem-vindos e obrigada por tudo”.

E depois do presidente da direcção da Filarmónica visitante, referir que “o intercâmbio é muito importante a nível das instituições, da cultura, mas é muito importante também conhecer outros lugares”, deixou um “muito obrigado por tudo e um bem-haja”, o vereador da Câmara Municipal começou por considerar que “para o Município de Arganil é uma honra e é um gosto enorme poder acolher-vos aqui no nosso salão nobre, naquela que é a Casa dos Arganilenses”, para salientar depois que “hoje, num dia de festa, o dia em que se assinalam os 173 anos de existência da nossa Associação Filarmónica de Arganil, (…) destaco o trabalho que tem vindo a ser efetuado pela direcção e pala sua presidente, onde naturalmente sobressai esta recepção, este intercâmbio com a sua congénere de Santa Bárbara”, terminando com votos de “uma excelente continuação deste intercâmbio cultural, que se sintam e continuem a sentir-se bem na nossa casa, em Arganil. Um bem-haja a todos e, uma vez mais, parabéns à Associação Filarmónica de Arganil”.

Outro dos momentos altos das comemorações foi a celebração da Eucaristia, na igreja matriz, presidida pelo padre Jacob Vasconcelos e concelebrada pelo reitor, padre Lucas Pio, sufragando a memória de todos aqueles que, com farda e sem farda, dedicadamente serviram a Filarmónica ao longo dos seus 173 anos.

“Estamos aqui, na vossa terra, com muita alegria”, disse o padre Jacob, enaltecendo ainda “os laços que se criaram, que esse devem reforçar e permanecer, (…) a fé que nos une a todos”, considerando mesmo que “as Filarmónica são um bocadinho à imagem do que deve ser a Igreja, (…) Nas Filarmónicas todos os instrumentos são necessários, não há suplentes (…) somos instrumentos do mesmo corpo. E na Igreja também é assim, não há suplentes, todos são necessários, todos têm lugar. Quanto maior é a diversidade, maior é a riqueza”.

No final da Eucaristia, o reitor agradeceu à Filarmónica “por tudo o que faz e o que tem feito pela paróquia” e deixou os parabéns pelos seus 173 anos.

À noite, a Praça completamente cheia de pessoas que tiveram oportunidade de assistir e aplaudir o magnífico espectáculo que foi o concerto comemorativo, durante o qual, além da entrega de lembranças, houve ainda (e mais uma vez) palavras de circunstância, mais agradecimentos, muitos agradecimentos, aos músicos e aos maestros Alexandre Madeira (Arganil) e Rodrigo Lucas (Santa Bárbara), às empresas, ao Município de Arganil, freguesias de Arganil, Cerdeira e Moura da Serra, Coja e Barril de Alva, Secarias, Pombeiro da Beira, Agrupamento de Escolas, Fábrica da Igreja, numa palavra a todos que se empenharam e tornaram possível o êxito deste  intercâmbio entre açorianos e arganilenses.

Em nome do Município de Arganil, a vereadora da Câmara Municipal, Elisabete Oliveira, também deixou os agradecimentos “de forma reconhecida por todo o esforço que foi feito para que estes dias fossem tão bem vividos por todos”, enalteceu os 173 anos de vida da Filarmónica, “são 173 anos de vida de muitos dirigentes, de muitos executantes, de muitos amigos, de muitas vidas que a Filarmónica tocou e transformou, como também transformou muitas vezes até dando a tantos jovens ferramentas que os tornam músicos profissionais, maestros profissionais (como Francisco Ferreira), mas sobretudo e mesmo para aqueles para quem a música nunca se transformou na sua profissão, tudo aquilo que lhes dá a nível da sua formação pessoal, a nível da sua formação artística”, terminando com votos que “estes 173 anos de vida continuem a ser celebrados no futuro”.

E as comemorações de tão significativa (e importante) data não podiam encerrar de melhor forma, com “chave de ouro”, mesmo em apoteose, com as duas Filarmónicas, conjuntamente, a executarem o hino da Filarmónica, tão nosso e tão querido dos arganilenses, que é a “Recordação de Arganil”.