
O programa das comemorações arrancou pelas 11 horas, com uma missa ao ar livre no relvado da Santa Casa, que foi animada por um grupo de “20 jovens” do projeto “Belas em Missão”, que integram a Paróquia da Nossa Senhora da Misericórdia de Belas, em Sintra. A missa foi celebrada pelo pároco Daniel Gomes de Almeida, que exerce funções nesta entidade religiosa.
Perto das 14 horas, após o almoço, teve lugar a atuação do Grupo de Concertinistas da Lousã, na sala de convívio da Estrutura Residencial para Pessoas Idosas (ERPI). A encerrar o dia de aniversário e a edição anual da “Verbena”, foi oferecido um lanche a todos os presentes.
A Misericórdia atende cerca de “400 utentes” por dia, designadamente
“crianças” e “idosos”
Em entrevista à A COMARCA, o provedor da Santa Casa da Misericórdia da Lousã, João da Franca, salientou que a “principal missão” desta Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS) é “acudir às necessidades da comunidade”. Deste modo, através dos “serviços” que prestam, tornam-se num “porto de abrigo” para “muitos” cidadãos, de diferentes freguesias do “concelho”, reforçou.
A Misericórdia da Lousã atende, “diariamente”, cerca de “400 utentes”, de “crianças” a “idosos”, mencionou João da Franca. Face à falta de “respostas no exterior”, a instituição criou uma “nova creche” para apoiar os pais, dado que estes “precisam de trabalhar” e, para tal, necessitam de “deixar as crianças” num local apropriado, com profissionais de “excelência”. Relativamente às pessoas na “terceira idade”, o responsável afirmou que, caso a Santa Casa tivesse um “lar” com o “dobro da capacidade” atual, este continuaria “cheio”. “Toda a gente vem aqui bater à porta”, apontou.
João da Franca tem 84 anos e está à frente dos destinos da Misericórdia da Lousã desde 1992, portanto, há “34 anos”. Ao longo deste tempo, continuou o responsável, a instituição tem enfrentado “maus” e “bons” momentos, mas a principal adversidade que perspetiva para os próximos anos está relacionada com a sua sucessão. “Uma das dificuldades, que vejo para o futuro, [tem que ver com] quem é que vem gerir a Santa Casa. Tenho muito medo”, admitiu, revelando que não sabe se vai “continuar” na provedoria depois de terminar o atual “mandato”, em “dezembro de 2027”.
Ainda de acordo com João da Franca, não obstante o receio que manifestou relativamente à sua sucessão, também é necessário “dar o lugar a outros”. Por este motivo, caso “apareça uma lista” para o “substituir”, não vai recandidatar-se ao cargo de provedor para o próximo quadriénio, ou seja, de 2028 a 2031.
Até ao final do mandato atual, João da Franca pretende “acabar as obras” no edifício principal da instituição, designadamente no “primeiro piso”. Apesar de estar em fase de “finalização”, a “remodelação” em curso “ainda vai demorar bastante tempo”, lamentou. “As obras já deveriam estar concluídas”, esclareceu o provedor, apontando que este atraso se deve à “falta de pessoal” no setor da construção civil. “A construtora está com uma grande dificuldade em arranjar mão de obra”, justificou.
Por outro lado, até dezembro de 2027, o responsável espera que seja possível iniciar a “urbanização” de um “terreno” junto à Santa Casa, estando em “conversações” para o efeito. “Queremos fazer uma permuta. Não queremos o preço do terreno, queremos sim o preço em apartamentos para termos sempre uma fonte de rendimento. O dinheiro entra, mas desaparece muito rapidamente”, explicou. Caso o processo avance, a ideia da instituição consiste em arrendar as casas à população da vila.
O provedor destacou ainda a boa relação com a Câmara Municipal da Lousã, quer com o “anterior” executivo, liderado pelo socialista Luís Antunes, quer com o atual, chefiado pelo social-democrata Victor Carvalho.
Pedro Cunha – Estagiário

