
José Augusto Coimbra (Zaug) inaugurou, no dia 22 de agosto, a exposição “100 Figuras – Gente da Nossa Terra”, que retrata uma centena de personalidades que integram a comunidade arganilense. As caricaturas poderão ser observadas até ao dia 25 de setembro no Átrio de Exposições Guilherme Filipe, na Câmara Municipal.
Através de um olhar crítico e humorístico em relação ao contexto social e político de Arganil, “Zaug”, nome artístico de José Augusto Coimbra, há cerca de dois anos que desenhava retratos caricaturais sobre algumas figuras conhecidas na vila. “100 Figuras – Gente da Nossa Terra” contém uma centena de “cartoons”, nome usado pelo autor para definir as suas obras, e está organizada em sete núcleos temáticos: “Quem sabe fazer – o gesto que não se ensina”; “De portas abertas – raízes que rendem”; “Em campo aberto – o instante em que tudo é permitido”; “A serra, o rio e o açor – o que a terra guarda em nós”; “Pilares da terra – o peso do lugar”; “Cuidar e guardar – o que sustenta por dentro”; e “O outro lado do espelho – o avesso do visível”.
A partir da observação do cenário que o rodeia e da respetiva transposição para desenhos traçados a grafite, “Zaug” procurou representar as pessoas e os espaços que fazem parte da identidade arganilense, desde as figuras que estão ligadas ao comércio, à gastronomia, à indústria, à padaria, à boutique e a pequenos negócios locais, sem esquecer os contextos associativo, político, religioso e paisagístico. Desta forma, somando todos os trabalhos de José Augusto Coimbra no âmbito deste projeto, que abrange várias caras conhecidas da vila, assiste-se ao retrato de uma comunidade em diferentes dimensões do seu quotidiano. A curadoria da exposição, bem como do respetivo catálogo físico, foi realizada por Alexandra Martins.
“Estou aqui a acertar algumas contas, à minha maneira, com Arganil. Tenho um compromisso com a vida: realizar-me com amor e tranquilidade, e Arganil deu-me essa oportunidade”, começou por dizer José Augusto Coimbra, no dia em que a exposição foi inaugurada. De acordo com o artista, “Gente da Nossa Terra” consiste numa “exposição” que foi elaborada para prestar um tributo ao concelho e aos seus habitantes. “Reuni uma centena de pessoas paras as homenagear (…) centenas de outras podiam estar aqui, [mas] o que importa é o sentimento. Aqui, estão guardados o sabor das flores e da terra, a força da nossa serra, a doçura da primavera, o calor do verão e o gelo do inverno, mas como num bom vinho, a obra nunca envelhece”, continuou, sublinhando que os seus desenhos representam “estados de alma diferentes” que visam “unir, viver e conviver” com a comunidade local.
“Fazer um ‘cartoon’ é um jogo e jogá-lo é o meu destino”, mencionou o autor da exposição, afirmando que, “de um modo geral”, gosta do que faz. Sentado à “secretária”, cria um “espaço confinado pelo papel e recheado pelo carvão” e, segundo próprio, a “regra é fazer, fazer com prazer, até à encruzilhada” surgir. Nessa altura, o “milagre acontece” e a obra nasce. “Há em cada ‘cartoon’ um elogio, uma alegria, uma beleza, um sorriso que necessita de ser sentido e compartilhado”, finalizou.
O caminho para este projeto começou a ser trilhado numa consulta de Alexandra Martins com o médico José Augusto Coimbra
“Tudo isto começou (…) numa consulta. Portanto, foi naquele papel em que todos conhecemos, maioritariamente, o doutor Coimbra”, ou seja, na qualidade de “médico”, mencionou a curadora Alexandra Martins, natural de Arganil, que reside e trabalha atualmente em Lisboa. “Começámos a falar sobre arte, sobre o meu percurso profissional (…) e, antes de sair da consulta, disse-me: ‘quando falar com a Câmara Municipal, vou dizer-lhes que já tenho a minha curadora [para a exposição]’”, revelou.
O presidente da Câmara Municipal de Arganil, Luís Paulo Costa, afirmou que a “exposição não é, apenas, uma reunião de caricaturas”, dado que consiste no “rosto humano do concelho”. Através de um “olhar, às vezes, com algum humor, outras vezes, com alguma ironia (…) e com algum sarcasmo” em torno de algumas caras conhecidas da vila, “Zaug” realizou as suas obras com o “cuidado de não ridicularizar” ninguém, sublinhou o autarca. “É importante, nos tempos que correm, em que cada vez temos mais dificuldade em nos rirmos de nós próprios (…) este trabalho que o ‘Zaug’ nos traz”, ou seja, para “olharmos com ironia e humor para aquilo que é o nosso papel” na vida em comunidade, salientou.
“Cada rosto, cada caricatura, remete para uma história (…) uma profissão, uma família e, principalmente, para memórias e para episódios da nossa vida local”, mencionou Luís Paulo Costa, destacando que José Augusto Coimbra tem a “capacidade de observar”, quer “aquilo que passa despercebido, como o que “passa muito percebido” pelos habitantes do concelho. “O olhar de ‘Zaug’ é, simultaneamente, perspicaz, humorístico e irreverente”, indicou, considerando que é necessário ter em conta a “dupla faceta” desta figura: por um lado, enquanto “médico”, pois “conhece as pessoas pelo cuidado que lhes dedica” ao nível da “saúde” e, através do seu “olhar” de “artista”, capta os traços dessa mesma comunidade e desenha-os a carvão.
“’Arganil 100 Figuras – Gente da Nossa Terra’ traz com ela uma dimensão simbólica (…) não tem todas as personalidades que poderiam estar, não teve como critérios as que são mais ou menos importantes, [mas abrange] aquelas que aportam algum momento particular. Algo que [o autor] perspetivou e viu que fazia sentido colocar no papel”, declarou o presidente da Câmara. Depois de reunidas as 100 figuras que constam na exposição, torna-se possível a “leitura do concelho”, adicionou, frisando que o “principal património” de “qualquer terra” são as “pessoas” que nela habitam.
“Com esta exposição, fica mais uma parcela do legado do doutor Coimbra (…) por este gesto de guardar, para o futuro, a fisionomia humana” de Arganil durante “esta época”. No entender de Luís Paulo Costa, estas “obras” vão contribuir para que, “daqui a muitos anos, alguém descubra uma parte da história” deste concelho.
A vice-presidente da autarquia, Paula Dinis, recordou que “não” foi a “primeira vez” que José Augusto Coimbra apresentou os seus “trabalhos” à comunidade local. “É, para nós [Câmara Municipal], um motivo de orgulho acolher o seu olhar, o seu conhecimento e a sua capacidade de criar pontes entre o artista, o quotidiano, e a comunidade”, declarou, reforçando que são os três pilares desta “exposição”. A vereadora responsável pelo pelouro da Cultura enalteceu ainda o “trabalho de curadoria” efetuado por Alexandra Martins, tanto ao nível da “exposição”, como do respetivo “catálogo final”. A autarca destacou ainda que se trata de uma “jovem natural” desta vila, que seguiu o seu “percurso profissional fora do concelho, mas mantém uma ligação muito próxima a Arganil”.
O Átrio de Exposições Guilherme Filipe e o Salão Nobre dos Paços do Concelho de Arganil, tendo este último servido de palco para os discursos, ficaram repletos de pessoas no dia em que a exposição foi inaugurada. No final das intervenções, teve lugar um momento dedicado à poesia, que foi protagonizado por João Bilha.
“100 Figuras – Gente da Nossa Terra” encontra-se em exposição até ao dia 25 de setembro, no Átrio de Exposições Guilherme Filipe, no interior da Câmara Municipal de Arganil. Recorde-se que José Augusto Coimbra, o autor das caricaturas, também desempenha funções como médico no Centro de Saúde de Arganil, onde coordena a Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP).
(*) Estagiário

