
O ‘Xarivari – Artes de Rua’ regressou, entre os dias 21 e 23 de agosto, para mais uma edição de espetáculos circenses. O festival, organizado pelo Momo – Museu do Circo, levou peças a alguns pontos do concelho da Lousã, em Foz de Arouce e no centro da vila.
A 7.ª edição do ‘Xarivari – Artes de Rua’ arrancou na noite do dia 21 de agosto, na Pegada, em Foz de Arouce, com o espetáculo “Bugiganga”, da companhia “A Nariguda”. O grupo de “Torres Vedras”, que tem como principais protagonistas “Eva Ribeiro e Rafa Santos”, cruzou o “teatro físico, a comédia” e promoveu uma atuação que incorpora, como elemento central, “uma autêntica bugiganga”, ou seja, uma “moto Piaggio” Ape 50, explicou Eva Cabral, presidente da Associação Cultural ‘Marimbondo’, responsável pela gestão do Momo – Museu do Circo.
No sábado (22), o Mercado Municipal da Lousã teve uma manhã diferente do habitual. Enquanto a população local realizava as suas compras, no exterior do espaço de comércio esteve Néstor Martellini, da companhia “Circonest”, que apresentou o espetáculo de malabarismo intitulado “Martellini Circus”. Ao final do dia, o anfiteatro do Parque Carlos Reis serviu de palco para uma sessão de ilusionismo. “Flash & Borther Magic Show” consiste numa peça que junta a magia e o humor, tendo sido criada por Concha Quintana e Mariano Rabadán, ambos de nacionalidade argentina e residentes em Espanha.
O último dia de ‘Xarivari” começou em Foz de Arouce, no Momo – Museu do Circo, ao final da tarde. “Vaya Circo”, que está na estrada desde 2005, recebeu o prémio de “Melhor Espetáculo” no festival espanhol “Tres Días de Farándula”, em 2013. Composta por dois atores espanhóis, Charo Amaya e Javier González, a dupla utilizou o humor gestual e o circo enquanto principais ferramentas para cativar o público lousanense.
A encerrar esta sétima edição do ‘Xarivari’, também no Momo, foi reproduzido o documentário “Sonhos Flutuantes, Doc 35 anos Marimbondo”. Realizado por “Nuno Barreto”, da produtora “Filmes sem Futuro”, este trabalho incidiu no trajeto da companhia ‘Marimbondo’, criada pelo alemão Detlef Schaff há 36 anos e que está intimamente ligada ao Museu. O autor desta obra documental fez uma “grande entrevista” ao fundador do grupo e a Eva Cabral, complementando os depoimentos de ambos com excertos de “reportagens televisivas”, “fotografias” antigas, entre outros, mencionaram os dois protagonistas na apresentação do programa do festival.
Ao contrário da maior parte das edições anteriores, nas quais os espetáculos se concentravam maioritariamente no Momo e no anfiteatro do Parque Carlos Reis, este ano os organizadores do ‘Xarivari’ quiserem levar o circo a outros pontos do concelho, nomeadamente à Pegada, em Foz de Arouce, e ao Mercado Municipal, onde já tinha estado no ano passado. Sobretudo, quiseram trazer “qualidade” ao festival, “apostando em poucos dias” e “poucos locais”, conforme referiu Detlef Schaff. A particularidade deste ano, continuou, foi o encerramento com o “documentário” sobre a Associação Cultural ‘Marimbondo’. “Nunca tivemos cinema no ‘Xarivari’”, sublinhou.
O presidente da Câmara Municipal da Lousã, Victor Carvalho, deixou elogios ao trabalho que tem sido desenvolvido por Detlef Schaff e Eva Cabral, nomeadamente por “terem trazido a magia do circo” ao “concelho” da Lousã e, em particular, à “União de Freguesias de Foz de Arouce e Casal de Ermio”. O autarca destacou que a “companhia Marimbondo desenvolve um trabalho cultural” na vila “há mais de 30 anos” e, “desde 2019”, com o apoio do município, abriu as portas do Museu a todos os interessados em saber mais sobre a história da arte circense. “A Lousã tem circo [durante] todo o ano, trazendo artistas internacionais para apresentarem as suas mostras culturais”, reforçou, deixando também o apelo às pessoas para “visitarem” o Momo.
Sofia Antunes, que lidera a União de Freguesias de Foz de Arouce e Casal de Ermio, também começou por agradecer aos representantes do Museu. Segundo a própria, este tipo de “espetáculos” atrai “muitos visitantes” e “dá vida” à “terra” que representa, deixando também uma palavra de apreço à “Câmara Municipal” pelo “apoio” que “dá ao Momo”, contribuindo para que Detlef Schaff e Eva Cabral possam desenvolver atividades culturais para todos os “fregueses” e para a “toda a comunidade”.
“A cultura é para todos”
As iniciativas promovidas pela Associação Cultural ‘Marimbondo’ são gratuitas, incluindo as visitas guiadas à antiga Escola Básica de Foz de Arouce, onde se encontra atualmente o Museu do Circo. “A cultura é para todos. Portanto, não vou impedir uma família, que não tenha posses, de ver os espetáculos”, apontou Detlef Schaff. “O Momo é gratuito nas visitas, nos espetáculos e, inclusive, no bar”, reforçou o palhaço de origem germânica, deixando claro que “quem quiser contribuir” pode fazê-lo através de doações, mas não se trata de uma imposição.
“Este projeto é financiado, essencialmente, pelo protocolo que temos com a Câmara Municipal [que permite o desenvolvimento de] toda a programação que oferecemos”, explicou Eva Cabral, acrescentando que recebem também um “apoio anual da EFAPEL” e, por vezes, de outras empresas do concelho lousanense. “Todos trabalhamos voluntariamente”, frisou, revelando que os membros da Associação Cultural ‘Marimbondo’ assumem várias responsabilidades na gestão diária do Momo, desde a manutenção do espaço, participando na “limpeza” e na “jardinagem”, à preparação das “pipocas” que o público consome nos diferentes espetáculos, conduzindo à redução de alguns custos operacionais.
O projeto ‘Marimbondo’ está dividido em “duas” vertentes, explicou também Eva Cabral. Por um lado, está a “companhia ‘Marimbondo’, criada em 1990 por Detlef Schaff, que consiste num conjunto de pessoas que “produzem os seus espetáculos e os vendem no mercado livre”. Por outro, está a “Associação Cultural Marimbondo”, que visa “promover” iniciativas culturais como o festival ‘Xarivari’, o ‘Palari’ (dedicado ao cinema de circo), entre outros, tendo sido fundada no ano “2000”. Nesta última instituição, reforçou, todos os elementos trabalham de forma “voluntária”. Desde o princípio que ambas se encontram instaladas na Lousã, vila na qual têm desenvolvido várias atividades ao longo das últimas décadas.
A Associação Cultural Marimbondo vai desenvolver mais iniciativas até ao final do ano
Além do festival que decorreu no passado fim de semana, o Momo tem previstas outras iniciativas até ao final do ano. De acordo com Eva Cabral, no dia “20 de setembro” vai ser “inaugurada” uma “exposição sobre os 100 anos da morte de [Harry] Houdini (Erik Weisz)”, ilusionista de origem húngara que ficou famoso por conseguir escapar de situações, à primeira vista, impossíveis. Na tarde desse domingo, também no Momo, terá lugar um “espetáculo de magia”. Em outubro, será realizada a “16.ª edição do Festival Marionetas ao Centro”, um “espetáculo” que, tal como o nome indica, será “dedicado às marionetas” e direcionado para “todos os públicos”.
No mês de novembro, o Momo vai proporcionar um evento musical, recebendo um “trio” que “não toca em conjunto” há cerca de “15 anos”, salientou Detlef Schaff. Um dos elementos é o “percussionista” João Balão, residente em “Foz de Arouce”, que vai ser acompanhado por “dois guitarristas”: “um de Barcelona (Espanha) e o outro de Buenos Aires (Argentina)”. Por fim, “até ao final do ano, a companhia [Marimbondo] vai produzir um espetáculo, que vai apresentar aos alunos do 12.º ano do concelho da Lousã”. Este projeto, adicionou Eva Cabral, vai incorporar um “cruzamento de várias disciplinas”, desde a “representação”, a animação através de “marionetas”, o recurso ao “vídeo”, entre outros. Em suma, esta peça vai abordar temáticas atuais, como as implicações da “inteligência artificial” para a vida em sociedade.
As visitas à antiga Escola Básica de Foz de Arouce poderão ser agendadas através do envio de uma mensagem privada para o Facebook ou o Instagram do Momo – Museu do Circo, via email (companhiamarimbondo@yahoo.com) ou por contacto telefónico (239 098 614).
Pedro Cunha – Estagiário

