MISERICÓRDIA DE ARGANIL: Homenagem ao médico Barreto Leite

No dia 7 de Setembro, a Santa Casa da Misericórdia de Arganil prestou sentida homenagem ao médico dr. Manuel Barreto de Almeida Leite, perpetuando o seu nome no Hospital de Beneficência Condessa das Canas que, como foi referido pelo vice-provedor, Nuno Gomes, “entrará em funcionamento no próximo ano” e “um dos serviços que vai prestar será os Cuidados Paliativos e, se tudo correr bem e por respeito ao dr. Manuel Barreto Leite, aquele hospital servirá, não só a comunidade, mas também todos aqueles que são homenageados”.

“Uma instituição com memória e futuro” é lema da Santa Casa da Misericórdia de Arganil e, no seu cumprimento “e assim continuaremos o nosso caminho honrando os que nos procederam”, como disse o vice-provedor, mais uma vez quis homenagear um dos seus ilustres servidores, que foi director clínico do Hospital “entre 1971 e 1975, foi dirigente da mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia de Arganil e assumiu o cargo de procurador, sendo provedor o professor José Dias Coimbra”, como explicou, sem deixar de recordar ainda que esta homenagem foi prestada “no dia maior da Feira do Mont’Alto” porque o dr. Barreto Leite “começou a trabalhar no seu hospital, no Hospital de Beneficência Condessa das Canas, em Setembro de 1963, por altura da Feira do Mont’Alto”.

Uma homenagem que encheu completamente de pessoas o salão nobre da instituição que, com a sua presença se quiseram associar à homenagem ao médico, ao amigo, a “um homem que está no nosso coração, uma ilustre figura”, como disse o provedor António Carvalhais da Costa, destacando ainda que Barreto Leite foi “um profundo humanista, que amava a terra e trabalhava-a” e que “amava o ser humano, os seus doentes, (…) as crianças não tinham medo daquele médico, brincavam com ele, adoravam-no”, tanto que “faziam desenhos e ele colocava-os na parede” do seu consultório no n.º 16 da Rua Oliveira Matos.

A mesa que presidiu à sessão de homenagem ao médico Barreto Leite

“A sua memória também deveria ser perdurada na zona que tanto viu receber doentes”, salientou o vice-provedor da Misericórdia, enquanto o provedor disse que “talvez alguém iluminado desta terra faça um memorial, em frente ao seu consultório, conforme foi feito a esse grande homem também desta vila, João Castanheira”, sem deixar de ser recordado também que o dr. Barreto Liete “trabalhou no Hospital Monteiro Bastos, em Góis, foi presidente da Câmara Municipal de Góis, presidente do Lions Clube de Arganil e professor de Higiene na Escola Secundária de Arganil. Era uma parte do coração da vila de Arganil, onde acolhia pacientes, não apenas de Arganil, mas de Góis, Pampilhosa da Serra, Oliveira do Hospital, Tábua e Seia”.

E foi também uma parte dessas pessoas que, com a sua presença, trouxaram o seu sentido abraço à dedicado esposa, Rita Almeida Barreto Leite, aos filhos que, neste dia 7 de Setembro, se viram rodeados do carinho de muitos amigos, representantes de instituições e associações, dos presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Manuel Veríssimo, e do presidente do Secretariado Regional de Coimbra da União das Misericórdias Portuguesas, António Sérgio Martins, dos antigos presidentes da Câmara Municipal de Arganil. Rui Silva (foi no seu mandato, como referiu, que foi entregue a Barreto Leite a Medalha de Mérito do Município, a 25 de Abril de 2002, “pelos mais de 20 anos que exerceu no Centro de Saúde de Arganil”), e de Ricardo Pereira Alves que não deixou de recordar também que participou em alguns eventos onde o homenageado foi reconhecido como clínico, designadamente quando lhe foi atribuída a Medalha de Ouro pela Ordem dos Médicos e de reconhecer ainda “a empatia que tinha com as crianças, (…) era e é uma inspiração para as gerações futuras, Obrigado, dr. Barreto Leite”.

Em nome da Ordem dos Médicos, Manuel Veríssimo, felicitou a Misericórdia de Arganil por esta iniciativa, para referir depois que “o dr. Manuel Barreto Leite tinha um compromisso científico com as pessoas, mas tinha um compromisso humanista, que é a outra parte muito importante de ser médico”, sem deixar de lamentar que “ao longo dos anos, cada vez se tem valorizado mais a parte científica e se tem desvalorizado a parte da arte, da relação com os doentes”, mas este médico foi “um de entre outros e muitos que ainda existem, que cultivam essa parte da arte, (…) foi alguém muito grande para a Medicina portuguesa da Região Centro e, especialmente, de Arganil”.

O dr. Barreto Leite foi “um cidadão exemplar”, considerou também o presidente do Secretariado Regional de Coimbra da União das Misericórdias Portuguesas, “foi num tempo difícil que viveu e, por isso, se tornou uma pessoa forte, excepcional, não só na comunidade que servia directamente, mas também nas comunidades circundantes” e, por esse facto, “as Misericórdias também não podiam ficar alheias a estar aqui presentes para testemunhar, na primeira pessoa, o quão gratos estamos pela sua dádiva e entrega”.

Dádiva e entrega que Alexandra Novais, a sua vizinha e doente (e também presidente da direcção da Associação Filarmónica de Arganil), não deixou de enaltecer também com palavras sentidas e de muita emoção ao falar do médico, do amigo que foi o dr. Barreto Leite.

Em nome da famíliao, o filho João Evangelista agradecu a homenagem

Em nome da família, o filho João Evangelista Barreto Leite, agradeceu a homenagem “com que quiseram honrar o nosso pai”, salientando que “para nós, foi um pai, irmão, avô e bisavô dedicado”, que também “dedicou a sua vida como médico, conselheiro e amigo. Durante mais de 60 anos, o nosso pai dedicou-se à medicina e a sua sabedoria, experiência e preocupação em acompanhar a evolução da medicina conquistou a confiança de quem o procurava. (…) Não era por acaso que dedicava uma hora dos seus dias, depois de passear os seus cães, a actualizar o seu conhecimento, antes de abrir a porta do seu consultório”, considerando que, “foi a sua visão humanista, empatia e generosidade rara que marcou todos os que com ele se cruzaram” e que o seu consultório representará “o maior legado que nos deixou, que servir os outros é a mais nobre forma de viver”.

“Vocês só têm de ter orgulho do vosso pai”, uma vez que “se dedicou às instituições das quais fazem parte as pessoas, por isso ele as acarinhava, porque estava lá o elemento humano que ele respeitava”, disse o provedor da Misericórdia de Arganil, para referir depois que “as pessoas vinham de longe” às suas consultas porque “traziam a convicção de que iam curados. (…) Foi um profundo humanista, que amava a terra e trabalhava-a” e que “amava o ser humano, os seus doentes”.

E é isso que está gravado na placa que depois foi descerrada no Hospital de Beneficência Condessa das Canas, onde o dr. Barreto Leite trabalhou, “prestou serviço, muitas das vezes gratuitamente e trazia o medicamento na mão” para curar os doentes e, como recordou António Carvalhais da Costa, “no dia seguinte perguntava se estavam melhor, tinha esta preocupação humanista” e onde se pretende “fazer permanecer a memória dele no futuro”, permitindo “daqui a 50, 100 anos contar a história, porque está escrito nas paredes desta instituição quem foi Manuel Barreto de Almeida Leite”.

Na sessão solene, destaque ainda para momentos de poesia e musical com Marta Mendes e Tiago Mateus a enriquecerem ainda mais a homenagem e que, porque se estava a recordar, não podia deixar de culminar da melhor forma, na igreja da Misericórdia, com um concerto pela Filarmónica de Arganil e com a execução do hino (tão querido doa arganilenses) “Recordação de Arganil”.