NOTA DA SEMANA: Quando as coisas simples são as mais importantes!

Quando no último fim-de-semana me encontrava a rascunhar as linhas para esta crónica semanal, recebi um telefonema de um amigo com um singelo convite para almoçar.

De tão atarantado que eu estava a analisar as orientações do próximo orçamento da União Europeia para o ano de 2027, e segundo as quais vários países, por sinal os contribuintes líquidos do referido orçamento, exigiam uma redução de 20% nos fundos europeus, que não vislumbrei no imediato a diligência do convite recebido.

Como é habitual, sem dizer que não ao dito convite, logo sublinhei que não prometia ir ao referido almoço, e tudo porque não se deve prometer algo que, logo a seguir, não se cumpre!

Maneira de estar que há muito tempo aprendi… nunca prometer, mesmo que saibamos que até somos capazes de cumprir. Infelizmente nem todos pensam assim, a começar por alguns políticos que por aí vão saltitando.

No entanto, de tão assustado que fiquei com a exigência dos países pagadores dos fundos europeus e, já agora, dos contribuintes líquidos do famoso PRR, de redução do orçamento da União Europeia, que entendi que o melhor era não sofrer por antecipação, ou não fosse o nosso País um daqueles que vive acocorado nas benesses do dinheiro vindo do saco europeu.

Pensei melhor nas linhas a escrever e decidi deixar para outro dia falar sobre o previsível corte das verbas para os quadros comunitários de apoio e de coesão, até porque parece-me assunto demasiado sensível para abordar sem algumas certezas adicionais, tantos que são os investimentos em curso pendurados e dependentes do PRR, sabendo-se e conhecendo-se as limitações temporais para a sua execução e conclusão.

Vai daí, lá fui ao almoço para o qual o meu amigo me convidou, na linda localidade da Benfeita.

Chegado lá, dirigi-me à sede da respetiva Liga, onde mais de uma centena de Benfeitenses se encontravam confraternizando.

Percebi então, que a comunidade, por intermédio dos seus “mordomos”, tinha organizado a Festa do Santíssimo, na expetativa de que a tradição não se perdesse ou fosse esquecida.

Sabendo ser Domingo, dia 14 de Junho, e sabendo que à mesma hora decorria a Feira das Freguesias em Arganil, fiquei algo surpreso por tanta gente presente naquele almoço.

Percebi então, que o que movia aquelas pessoas, com os “mordomos” à cabeça, era a necessidade de manter a comunidade viva, ativa e participativa nas suas tradições.

Percebi que muitos daqueles que por ali estavam, tinham vida feita na emigração e que a ligação à sua terra batia mais forte, e mais forte parecia ser o sentimento de pertença a uma comunidade que quer continuar a honrar os seus antepassados.

Já sabemos que o interior está cada vez mais vulnerável ao envelhecimento e à saída dos jovens, a começar por não existirem oportunidades e quem as queira promover e até defender, especialmente quando alguns têm maiores responsabilidades do que outros.

No entanto, confesso que gostei de ver uma aldeia, que tem bem mais do que a Torre da Paz e que não se resume a esta, a juntar-se em redor da defesa das suas tradições e a mobilizar-se para que a Benfeita não seja esquecida.

Agora foi a Festa do Santíssimo, com Missa presidida pelo Padre Albino Camati, mas logo se seguirá a evocação da Senhora das Necessidades e outros eventos ocorrerão na linda aldeia da Benfeita.

E depois de falar com duas das “mordomas”, Cristina Filipe e Sandra Santos, percebi de imediato as várias atividades e iniciativas previstas para retomar as festividades em honra de Nossa Senhora das Necessidades, assim como o empenho para que seja ajudado o Centro Social local a melhorar o seu equipamento.

Assim se fazem as coisas simples que podem mudar a vida das pessoas.

Outra coisa entendi também, é que muita daquela gente não espera o reconhecimento devido, até porque se assim pensassem rapidamente concluiriam que este nunca chegaria…

Tanta boa gente que por lá encontrei, e às quais envio um abraço, pois, por instantes, fizeram-me esquecer muitas das preocupações que me atormentam…

Aos mordomos, cujos nomes penso não falhar, aqui vai um bem-haja pela coragem na preservação da vossa aldeia: Ana Ramos; Alfredo Martins; Catarina Gaio; Cesário Filipe; Cristina Filipe; Filipa Simões; Francisco Simões; Gonçalo Figueiredo; Herminio Santos; Isabel Costa; José Santos; Sandra Santos; e a participação especial de Fernanda Costa.

Coragem para continuarem!