NOTA DA SEMANA: Queres uma casa? Constrói uma barraca primeiro!

Nos últimos dias uma certa sensibilidade nacional foi despertada para a grave situação das famílias que, encontrando-se há largos nos no “Bairro” do Talude em Loures, viram serem demolidas as barracas onde diziam viver.

Logo no primeiro dia da demolição as associações que gravitam em torno da extrema-esquerda apareceram a bradar pela dignidade de tais pessoas, fazendo uso da situação em que estas se encontravam para gritar contra a forma como estavam tais Seres Humanos a serem tratados.

Seguramente tais associações, devidamente instrumentalizadas por certos e determinados Partidos de extrema-esquerda, esqueceram-se que tais barracas já existiam há várias décadas, designadamente durante a Presidência do Município de Loures pelo Partido Comunista Português (PCP).

Seguramente, como por passe de magia, todos os que agora apareceram a vociferar contra o pecado capitalista, esqueceram-se que parte das pessoas que ocupavam tais barracas são imigrantes ilegais, ou a aguardar o desfecho do processo de legalização.

Razão mais que provável, para que algumas famílias não tenham pedido o apoio da autarquia de Loures.

Seguramente, aqueles que agora se disponibilizaram para, voluntariamente, ajudar a limpar os terrenos em causa, retirando daí os detritos das demolições realizadas, esqueceram-se de que seria mais benéfico, acolherem nas respetivas habitações os agora “desalojados”.

Seguramente, as ditas associações esqueceram-se ainda, que ao longo dos últimos anos estiveram abertas candidaturas no âmbito do PRR para construção de habitação social, e que por essa via, as ditas associações poderiam, e deveriam, ter apresentado candidaturas à concretização dessas metas.

Poderão responder neste caso, de que tais associações não disponham de terrenos para suportar essas candidaturas.

No entanto, essas mesmas associações que gravitam em redor de certos e determinados Partidos de Esquerda, ou extrema-esquerda, poderiam solicitar a cedência de património e terrenos para as ditas construções junto dos mesmos.

A esse propósito o PCP, o Partido com maior património imobiliário em Portugal, poderia e deveria, ceder uma parte desse seu património para arrendar na lógica de habitação social, ou mesmo ceder parte dos terrenos da Quinta da Atalaia onde se realiza a festa do Avante, para construir aí habitação social e assim, alojar as famílias mais carenciadas.

Com efeito, se é surpreendente a decisão do autarca de Loures em mandar demolir as barracas a poucos meses das eleições autárquicas, também não deixa de ser surpreendente que aqueles que criaram a Lei de Bases da Habitação, venham agora gritar pela dignidade dessas pessoas, quando no passado a aprovação de tal Lei permitiu que o património do Estado fosse vendido para ser reabilitado e, passado algum tempo, (re)entrou no mercado ao dobro do preço do valor porque foi, inicialmente, alienado… era esta a habitação social que se desejava assegurar com a tal Lei de Bases da Habitação?

No caso do autarca de Loures, a decisão tomada não visou apenas cumprir com as Leis de um Estado de Direito, pois estamos perante construções ilegais, (a não ser que sejam construções amovíveis!), mas também porque pretendeu dar um sinal ao eleitorado desse concelho.

E é bom que tenhamos consciência de que os cidadãos portugueses de bom senso solidarizaram-se para com as famílias despojadas das suas barracas, mas esses mesmos cidadãos não deixaram de questionar sobre as razões porque algumas pessoas na atualidade, livremente, podem construir sem licenças camarárias, retirar eletricidade sem autorização, fazer fossas sem permissão, e tudo em terrenos que não lhes pertencem.

Não foi por acaso que João Soares do Partido Socialista (PS) saiu em defesa do seu colega de Partido e presidente da Câmara Municipal de Loures, talvez outros camaradas lhe devessem seguir o exemplo.

Para aqueles que, demagogicamente, acenam com a bandeira da dignidade humana, porventura para dar sinal de vida política, deveriam meditar sobre os reais motivos para que o “Bairro” do Talude já exista há vários anos, transitando as barracas de mãos em mãos.

Será que a razão para tal seja a máxima de que “se quiseres ter uma casa, terás de construir primeiro uma barraca?”

A falta de habitação em Portugal não é o flagelo para quem quer ter uma casa para viver.

A principal e verdadeira razão são antes os preços proibitivos praticados no mercado, os quais têm vindo a ser alimentados através da redução da oferta, face à procura, mas de igual modo ajudada pela entrada descontrolada de imigrantes que faz com que senhorios menos sérios aluguem barracões e barracas e ainda lhes chamem habitações.

O que se passa em Loures é apenas mais um sinal da hipocrisia de uma certa postura política, por via da qual os carenciados são apenas arma de arremesso para a agenda mediática.