
A participação no Jubileu da Esperança, em Roma, contou com uma participação massiva de Portugal, sendo apenas superado pelas comitivas de Espanha e França. Da Diocese de Coimbra partiram 245 jovens para o Pré-Jubileu, em Asti (região situada no norte de Itália), aos quais se juntaram 225 para viverem o Jubileu da Esperança, que decorreu de 28 de Julho a 3 de Agosto.
Experiência avassaladora. É assim que muitos jovens catalogam estes dias por terras italianas. O espírito de entreajuda, compaixão, alegria e felicidade falaram mais alto nos momentos de maior provação, causados pelas altas temperaturas e pela distância geográfica que separava os vários locais onde decorriam as atividades propostas pelo Vaticano, para o Jubileu da Esperança.
O convite foi lançado pelo Papa Francisco, na Jornada Mundial da Juventude 2023 (JMJ 2023), em Lisboa, e cerca de 500 jovens da Diocese de Coimbra disseram “sim”. De avião ou autocarro, em grupo ou isoladamente, os peregrinos da esperança quiseram fazer caminho em conjunto com fiéis de vários países, culturas e até confissões.
“Saio do Jubileu com esperança num futuro melhor”, começa por afirmar Adriana Pereira, jovem de 30 anos, pertencente ao Grupo de Jovens Génesis, da Unidade Pastoral do Mondego – Paróquia de Pereira, que viveu esta experiência como responsável de um grupo de peregrinos. A jovem acrescenta ainda que “se cada jovem que estava em Tor Vergata seguir todos os ensinamentos de um verdadeiro cristão, serão um milhão de pessoas a mudar o Mundo, a tornar o Mundo melhor”.
Quando questionados sobre os pontos altos do Jubileu, a vigília, que aconteceu em Tor Vergata, e a noite que os peregrinos por lá passaram, foram, de modo generalizado, as mais evidenciadas.
Salomé Freitas, jovem de 20 anos, membro do Grupo de Jovens Aeminium, da Unidade Pastoral Aeminium, participou na peregrinação, também, enquanto responsável de um grupo de peregrinos. A jovem recorda a noite da vigília de forma emocionada: “depois de uma vigília cheia de palavras que nos tocaram por dentro, ficámos ali, ao ar livre, com milhares de jovens à nossa volta…e parecia que o mundo tinha parado por um instante”.
Salomé acrescenta: “senti uma paz que não se explica – serena, profunda, real. E no meio desse silêncio, quase num sussurro, foi como se Deus me dissesse baixinho: “Estou aqui. Não tenhas medo.” Foi ali que percebi, mais do que nunca, que não caminho sozinha”.
Adriana Pereira reitera a opinião de Salomé e revela que a vigília se revelou “um momento de reencontro comigo, com o Pai e com os outros. Aquele silêncio e emoção tomaram conta de mim. Foi indescritível e inexplicável”.
Se para a Adriana e para a Salomé o Jubileu se revelou um bonito caminho de interioridade e reflexão, para Pedro Simões, jovem de 20 anos e um dos cinco seminaristas da Diocese de Coimbra que estiveram em Roma, também foi um tempo de discernimento e alegre comunhão com jovens de todo o mundo. “Estes dias em Itália ajudaram-me a tentar compreender melhor que o caminho até ao sacerdócio é um caminho feito com a Igreja, para a Igreja e no meio do povo”, explica o seminarista.
Pedro Simões garante que a vivência do Jubileu veio reforçar o desejo de prosseguir o caminho rumo ao sacerdócio e garante que a experiência lhe “despertou a consciência de que uma caminhada vocacional dirigida para o sacerdócio e, posteriormente, o sacerdócio é um dom e uma missão, que não se constrói sozinha, mas sim com aqueles que nos rodeiam e que mais nos amam, sem esquecer de Jesus e a ação do Espirito Santo em nós.”
Nos vários momentos que pontuaram o Jubileu da Esperança ecoou uma frase muitas vezes ouvida na JMJ 2023: “esta é a juventude do Papa”. Questionados sobre se o Papa Leão XIV era o Papa da juventude, todos responderam afirmativamente. “Quando vi o Papa Leão com a cruz do Jubileu, a caminhar com os jovens, percebi que tínhamos um Papa próximo da juventude. Temos um Papa que quer caminhar connosco, que nos quer entender e que acredita em nós como futuro da Igreja”, revela Adriana Pereira.
“Sentimo-nos parte de algo maior, de uma Igreja que confia nos jovens e nos envia”, começa por dizer Salomé Freitas quando questionada sobre a proximidade de Leão XIV aos jovens, “é como se [o Papa] dissesse: “vocês são importantes, façam a diferença. E nós acreditamos nisso.”
A próxima paragem é a JMJ 2027, desta feita em Seul, capital da Coreia do Norte, que decorreu de 3 a 8 de Agosto, na presença do Papa Leão XIV. A expectativa foi grande e a certeza única: quem participa nestes eventos volta diferente. “Sou eu mesma… mas sou mais”, afirma Salomé Freitas sobre o efeito do Jubileu da Esperança.


